A Paixão de Cristo de Piracicaba

Artigo por Paulo Henrique
13 de abril de 2004

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Público observa desfile
do exército Romano.

Na última quinta-feira, dia 8 de abril, fui assistir ao espetáculo "A Paixão de Cristo" no Engenho Central, em Piracicaba, cidade do interior do estado de São Paulo.

Há quinze anos em cartaz, o espetáculo é um teatro ao ar livre, com um espaço cênico de 8500 m2 representando a Judéia dos tempos de Jesus Cristo (com direito ao rio Jordão, manjedoura, Sinédrio, palácios, calvário e tudo mais).

Segundo o jornal A Gazeta de Piracicaba, esta "Paixão de Cristo" é o maior espetáculo encenado a céu aberto no país, com 1200 atores - entre personagens principais e figurantes - e já aplaudido por quase meio milhão de espectadores.

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João Batista batiza Jesus Cristo
no rio Jordão.

Com duração de 2 horas, roteiro é baseado nos evangelhos - embora com algumas "escapadelas" teatrais - e a interpretação, por ser vista de longe pela platéia, é caracterizada por gestos exagerados. As falas, previamente gravadas, também dão um toque especial, pela excelente qualidade do som (mesmo com o sotaque do "interiorrrr"). Estas particularidades dão um certo charme ao espetáculo, que faz parte de um gênerto sacro-popular tradicional em diversos países cristãos, inclusive no Brasil.

Mas o que eu mais me surpreendi foi com a indevida promoção de uma atração desta envergadura. Apesar de ser um grande espetáculo, com ares de superprodução, e agitar a sua volta milhares de pessoas todos os anos, "A Paixão de Cristo" em Piracicaba quase não tem repercussão no país, nem mesmo no estado de São Paulo e, arrisco dizer, muito pouco impacto até mesmo na região de Campinas.

Não arrisco, no entanto, a tentar explicar os motivos deste "pecado" (com trocadilhos). Só sei que após assistir ao espetáculo, a minha principal motivação foi ajudar a promovê-lo, e por conseqüência, a promover a arte do interior do Brasil que - sem qualquer julgamento de valor ou contextualização religiosa - ainda tem salvação (outro trocadilho, viu?).

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A cruxifixação.

A peça, por si só, já se consolidou como um programa especial há quinze semanas santas, e deve ser aproveitada - no mínimo - pelas pessoas de Piracicaba, Campinas e região.

É, sem dúvida, uma atração ímpar, para ser prestigiada por todas as pessoas que apreciam a obra de arte popular, que resgata valores tradicionais, sacros e que, com toda certeza, é um oásis no deserto das produções culturais brasileiras, independente da localidade, raça, classe social ou religião.

Ficha técnica:

Título: A Paixão de Cristo de Piracicaba

Cidade: Piracicaba-SP

Local: Engenho Central

Quando: Durante as semanas santas

Horário: 20 horas

Preço do Ingresso em 2004: R$ 7 (inteira) e R$ 3.50 (meia)

Direção Geral: João Prata


Titulo: A Paixão de Cristo de Piracicaba

Autor: Paulo Henrique

Gênero: Artigo

Data de publicação: 13 de abril de 2004

Resumo:

Nada a ver com Mel Gibson…

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4 Comentários

  1. André Saúde disse:

    Pois é, moro em Campinas há 8 anos e nunca ouvi falar desta peça. Pena ter ficado sabendo apenas após o espetáculo.

  2. Alexandre Piccolo disse:

    Beleza de resgate, no mínimo redime o pecado do descaso com a arte popular. Agora o jeito é esperar até a próxima semana santa…

  3. Lígia disse:

    Eu também não sabia que existia! Ótima a iniciativa de divulgar coisas boas, que muitas vezes, estão escondidas por aí.

  4. Mário disse:

    Legal, Pê. Eu nem sabia que existia isso em Piracicaba! É bão ficar sabendo! :^)

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Quem é Paulo Henrique?

Cristão, mineiro, 25 anos e jornalista.

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