Artigo por Regina Vilarinhos
25 de julho de 2005
Eu não vou prometer o sol. Nem a chuva, mesmo porque ela já tem caído o suficiente. Aliás, quem sou eu para prometer alguma coisa pra alguém. Meu desejo é que tenhamos dias brancos.
Mais brancos do que folha de papel, porque mesmo sem nada escrito, ela já se comprometeu com a árvore que foi cortada ou com a mistura em que foi reciclada. Mais que o branco das duzentas saias das baianas, todas juntas, banhando as escadarias do Bonfim. Muito além do branco das camisetas marchando em passeatas na orla da praia, ou no centro das grandes cidades, pedindo paz.
Falo do branco que se vê na alma dos mexicanos que, no início da primavera, assim se vestem para renovar suas energias no alto das pirâmides deixadas por seus ancestrais pré-colombianos em quase todo o país. É a Terra sendo fecundada pelo Sol, dando início a um novo ciclo de vida. Poderíamos ir ao alto do Corcovado, de Itatiaia, no Pico da Bandeira, subir no topo do Brasil, para assistirmos ao Sol fecundando a nova Terra Brasilis.
Do branco que fazia Joana D?arc, a heroína, transformar-se em alvo fácil nas batalhas, com o objetivo de transmitir coragem e liderança ao restante do grupo. Ao contrário do Thiago Lacerda, que achou seu herói de olho roxo, ainda não encontrei o meu nesta batalha; pelo contrário, penso que perdi um.
Espalhar a alegria do branco dos Filhos de Gandhi desfilando na luz de Salvador, pelas ruas, avenidas, salões, bancos, assembléias, enfim, onde se escondem no manto escuro da corrupção aqueles que não levantam seus traseiros, acomodados nas cadeiras de burocratas.
Quero o branco quase anjo. Daqueles que acreditam que quando expiamo-nos dos nossos pecados e nos elevamos espiritualmente, somos "quase como anjos". Este, nenhum sabão pode dar.
Para lavar a lama desses últimos dias que a chuva fez por aí. Uma lavagem de nossas almas, nossos compromissos, nossas esperanças. Fazendo um trava línguas: o aval do mala, a lama na vala, lava a alma.
Titulo: Dias brancos
Autor: Regina Vilarinhos
Gênero: Artigo
Data de publicação: 25 de julho de 2005
Resumo: Desejos de uma brasileira cansada da mesmice da canalhice.
RÊ, FICOU AINDA MELHOR IMPRESSO. PARABÉNS.
Regina consegue suavizar a nossa indignação com poesia, mostrando os seus clamores que também são nossos. Bacana demais!!!
Amiga…
Precisamos de armas sem mortes, de heróis sem superpoderes, de gente simples que lutam com a simplisidade dos gestos para que possamos ver, sentir e viver a paz.
A R T H U R S - THE KING
Amiga…
Precisamos de armas sem mortes, de heróis sem superpoderes… de gente simples que lutam simplesmente com a pureza dos gestos e dos objetivos para tentarmos ver, viver e sentir a paz.
A R T H U R S - THE KING
Desejo a você, mais que um dia branco, um dia iluminado, pois na imensa escuridão, basta um ponto de luz para que sejamos encontrados.
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“Passou e deixou um jeito de blues…”
Tá. Tá bom. Eu sei que essa frase é pra definir o poema “Ausência”, logo aí acima, mas acontece que a danada da frase não me sai da cabeça, ainda que eu esteja falando e vendo e vivendo apenas “Dias Brancos”, ainda que eu repita co você que “…Quero o branco quase anjo….”
Regina, cliquei em CINCO ESTRELAS porque não havia nada parecido com DEZ, nota DEZ.