Artigo por Alexandre Piccolo
7 de janeiro de 2003
Gostei do debate de ontem do ministro da fazenda, Antônio Palocci Filho, no Roda Viva da TV Cultura. Malan à parte, seu sucessor nada deixa a desejar, política, econômica ou culturalmente; muito pelo contrário, pareceu conhecer bem o abacaxi em suas mãos e estar disposto a arregaçar as mangas e muito trabalhar.
Engraçado é como isso de alguma maneira tem soado diferente neste novo "governo Lula". No discurso do ministro havia uma diferença sonora de enfoque, não só dos verbetes mas da metodologia (ou ideologia) em si, como se um passo concreto tivesse já sido dado. De maneira simplista, pareceu-me que o caquético discurso Maltusiano foi finalmente abolido e o emblema do "usar melhor" tomou lugar do "gastar mais".
Pra dar um exemplo: é sabido que o problema de fome mundial não é fruto de volume de alimentos produzido e sim de má distribuição, gerando contrastes absurdos (como obesidade norte-americana e desnutrição africana), papo que virou até clichê. E, em boa parte do programa, o ministro transpareceu esta consciência do problema, até ensaiou um know-how das variantes da solução (sempre baseada na ampla discussão proposta pelo partido), ainda que isto seja só discurso político. Talvez inspirado pelos inacreditáveis malabarismos de grande parte de seu eleitorado, que sabe se virar com um simples e irrisório salário mínimo, o palavreado do usar melhor o recurso público pareceu não só fazer sentido como ser o enfoque principal desta nova gestão fazendária. E seria no mínimo de bom tom que o governo soubesse também bem aplicar suas verbas.
Outro importante ponto que distoou do velho blá-blá-blá do antigo poder foi o rumo das diretrizes enfocado pelo ministro. Palocci preocupou-se em tentar explicar o discurso petista de campanha "o Brasil precisa fazer uma reflexão e olhar para dentro de si" como um novo planejamento estratégico como nação, de médio e longo prazos - aparentemente perdidos ou esquecidos no governo éfe-agá-cê. Esta noção, enfim, se materializou quando o minstrou ressaltou que o país não pode estar concentrado na política econômica, financeira, monetária, cambial ou no ministério da fazenda mas, sim, estes integrarem um grande conjunto que compõe o programa de governo.
Espero que Palocci conheça bem o modus operandi de tudo o que falou para, finalmente, sairmos das promessas de discurso e entrarmos nas ações concretas em rumo de um país melhor.
Titulo: Palocci e o Roda Viva
Autor: Alexandre Piccolo
Gênero: Artigo
Data de publicação: 7 de janeiro de 2003
Resumo: Reflexões do debate do ministro da fazenda e esperança de uma fagulha de luz no fim do túnel.
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