Artigo por Sabrina Fontenele
25 de setembro de 2003

“Admiro os poetas. O que dizem com duas palavras, a gente tem que exprimir com milhares de tijolos” - arquiteto Vilanova Artigas.
Cheguei à Bienal de arquitetura em uma tarde de sexta-feira bem quente, novidade depois de tantas frentes fria em são Paulo. Surpreendo-me em ver as paredes do pavilhão coloridas e com uma passarela cortando seu vão, percebo que aquela seria uma tarde bem diferente: sol, cores, luzes…
No pavimento térreo, um mapa da cidade de São Paulo ocupa uma parte do chão. É inevitável ficar por alguns segundos procurando sua casa, escola, monumentos, parques. Adultos se divertem na lúdica atividade de detetive.
Com o tema METRÓPOLE a V Bienal de Arquitetura busca chamar atenção para os problemas e tentativas de solução das principais questões urbanas: moradia, espaços públicos, qualidade ambiental, cultura, violência, entre tantos outros que afligem não só arquitetos e urbanistas, mas qualquer cidadão de uma grande cidade. A exposição consegue cumprir seu objetivo principal, o setor que trata das metrópoles (Pequim, Johannesburgo, Tóquio, Berlim, Londres, Nova York e São Paulo) encanta e atrai os visitantes com bastante informação.
No setor destinado a Nova Iorque, o destaque é o concurso para ocupação dos terrenos das antigas Torres Gêmeas e outros projetos de arquitetos contemporâneos, entre eles a loja da Prada com sua escadaria de madeira, palco de exposição de seus belos sapatos. Londres ilustra os novos projetos de edifícios culturais através de pranchas, maquetes e fotografias. Um projetor numa sala escura ainda chama atenção para alguns projetos, em especial o Serpentine Pavillion projetado pelo Oscar Niemeyer, no Hyde Park. Aos 94 anos, o arquiteto brasileiro mostra que ainda tem muito o que ensinar, mesmo numa cidade culturalmente desenvolvida como Londres.
Em meio a um conjunto de projetos monumentais, a cidade de Johannesburgo buscou demonstrar o perfil sócio-cultural da cidade sul-africana. Ensaios fotográficos e vídeos ilustram como funciona o sistema de saúde e educação, a moda e as novelas, além da arquitetura de seus edifícios. Henning Rasmuss, responsável por este segmento, afirmou que “há muitos prédios bonitos em Johannesburgo, mas mostrá-los não prova nada, não mostra a forma como pensamos a cidade, não permite compartilhar o conhecimento sobre ela” (Folha de São Paulo, em 23/09/03).
Além das questões urbanas, os outros pavimentos são ocupados por trabalhos de arquitetos brasileiros e internacionais. Entre estes, a fantástica (e estranhíssima) bolha azul proposta pelo arquiteto inglês Peter Cook , a cúpula do parlamento alemão projetada pelo inglês Norman Foster e a bela Cidade da Música criada pela francês Chrstian de Portzamparc. Nomes que o público talvez nunca tenha ouvido falar, mas projetos que são marcos nas cidades onde foram construídas.
Titulo: Repensando a Metrópole
Autor: Sabrina Fontenele
Gênero: Artigo
Data de publicação: 25 de setembro de 2003
Resumo: Visita a Bienal Internacional de Arquitetura
Sabrina, obrigado por compartilhar suas visões sobre a Bienal. Se meu comentário pode acrescentar algo, gostaria de sugerir a leitura do caderno Sinapse da folha dessa semana. (http://www.folha.com.br/sinapse). Continue enviando suas impressões humanísticas sobre Sampa.
Curioso como a ente tem o que aprender, lendo seus escsritos, os quais mostram à saciedade, um espírito já tão recheado de cultura, num corpo ainda quase adolescente!
Agora fiquei com mais vontade ainda de ir visitar a Bienal! Beijos,
Legais suas impressões e observações sobre a Bienal de Arquitetura, Sabrina. Bacana a experiência de compartilhar conosco esta visita.
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Muito bom, como sempre.