Róquemrrou!

Artigo por Paulo Henrique
9 de maio de 2003

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Uma tosca linha do tempo,
para tentar ilustrar minha
idem teoria.

Acho que lá no exterior, quando se fala em música brasileira, algum gringo se lembra de seus momentos de elevador e já começa a assobiar "The Girl from Ipanema" ou então alguma coisa parecida com Samba, mesmo que for uma Rumba ou Salsa.

É claro que nomes como Tom Jobim e Carmem Miranda são conhecidos. Mas eles estão para os gringos assim como Frank Sinatra e Nina Simone estão para a maioria de nossa população. Todo mundo já ouviu falar, mas ninguém conhece direito.

Acontece que no Rock and Roll as coisas são diferentes. No Brasil, nós curtimos muito o estilo e queremos fazer parte de histórias do rock, sempre procurando um elo nacional, seja naquele terrível show que o Nirvana deu em São Paulo ou no filho de Mick Jagger. Queremos nos tornar parte do cenário mas, sinceramente, não precisamos de migalhas. Temos no âmbito universal a nossa própria marca. Basta prestar atenção.

O primeiro e o mais contudente exemplo são Os Mutantes. Nenhum conhecedor de rock que se preza descarta este nome. No meio da doideira lisérgica dos anos 60/70, entre tantos nomes fundamentais como Beatles, Velvet Underground e The Doors, temos Os Mutantes, com sua parafernália elétrica e atitude ousada. Ao modo bem brasileiro, Os Mutantes foram nossos protagonistas de uma geração em que a humanidade tocava guitarra e pirava muito, desconstruíndo (mesmo em vão) conceitos para tentar rearranjá-los em um sentido jovem e ansioso. Os Mutantes chegaram a ser comparados com os Beatles na Europa e até hoje são admirados em países como França e Estados Unidos, onde David Byrne (ex-Talking Heads) mantém viva a memória deste grupo. Uma curiosidade que serve como exemplo deste reconhecimento internacional: se o leitor reparar bem no filme Alta Fidelidade, no qual John Cusack interpreta o dono de uma loja de discos, o álbum Tropicália está lá, entre os clássicos expostos no balcão. Este disco marcou o tropicalismo, movimento protagonizado pelo Os Mutantes. Pena que os brasileiros mal sabem que a Rita Lee já foi um Mutante, para não dizer do total esquecimento da mídia em relação ao Sérgio Dias e Arnaldo Baptista, os outros integrantes do trio.

A outra banda, que não chegou tão longe quanto Os Mutantes, foi o Legião Urbana, grupo que marcou os anos 80/90. Ao lado de nomes como U2 e REM, Legião Urbana conseguiu ter profundiade nas reflexões e a mesma cadência - ora épica, ora eufórica - que ditou uma fase propícia para cortar os pulsos, marcada pela Aids e pela desilusão com as ideologias. Apesar da limitação técnica dos músicos, as canções do Legião Urbana são, em seu todo, muito complexas. Grandes produções como Faroeste Cabloco e Monte Castelo dispensam um virtuosismo instrumental diante da largura, altura e profundidade de temas como Amor (no sentido 1 Coríntios 13) e existência. Talvez dois limitantes da expansão universal definitiva do Legião Urbana: a língua portuguesa - que não permite a difusão o global dos pensamentos de Renato Russo - e a precoce morte do mesmo.

At last, but not least, temos o Sepultura, uma banda de heavy-metal que é um clássico do gênero. Pessoalmente, eu não acompanho o rock pauleira e, por isso mesmo, nem conheço o estilo tanto assim. Mas o que eu vejo claramente é a posição do Sepultura entre os gigantes como Mettalica, Iron Maiden, Slayer e Pantera. Posicionamento, diga-se de passagem, brasileiríssimo, pois o Sepultura saiu direto de Belo Horizonte para o mundo, promovendo a bandeira nacional e sendo um dos sinônimos atuais do Brasil, assim como Pelé, carnaval e Gisele Bündchen.

É isso aí. Em três movimentos diferentes da história do Rock, temos bandas brasileiras produzindo um som universal, sendo reconhecidas lá fora e colocando seus nomes entre os grandes. Tanto na década hippie, os existencialistas da década de 80 e os metaleiros, nossas bandas mostraram que o Brasil tem propriedade no Rock'n Roll e, sem desmerecer nenhuma banda ou nenhuma nacionalidade, o Rock'n Roll também é brasileiro.

Notas:

Nota 1: Não é minha intenção defender uma tese. Apenas levantar o debate.

Nota 2: No infográfico acima, tem dois nomes grafados de forma errada: Chuck Berry e Creedence. Corrijo aqui mesmo, nas indefectíveis notas de rodapé. Paciência…

Nota 3: Esta abordagem não descarta outros nomes de bandas nacionais que poderiam, eventualmente, serem citadas - embora não me ocorra nenhum nome neste momento.

Nota 4: Isto também não quer dizer que o Rock nacional é uma beleza. As bandas atuais revelam o quanto a produção brasileira é tacanha. Salvo um ou outro nome que ainda tem muito o que mostrar (ex: Rodox), só sobra o marasmo…


Titulo: Róquemrrou!

Autor: Paulo Henrique

Gênero: Artigo

Data de publicação: 9 de maio de 2003

Resumo:

Três bandas brasileiras fazem parte da história do Rock.

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5 Comentários

  1. Mário disse:

    Hehe. Gostei muito do texto, até mesmo por gostar demais do Rockão velho de guerra. E não quero deixar aqui apenas uma opinião musical… afinal, você já se desculpou antes mesmo das mensagens… hehe. Comentário: o Legião Urbana tem essa importância, mas eu daria maior para Cazuza. Enfim, pequenices. Viva o Rock! Boa PH!

  2. Ronaldo Magalhães Lima disse:

    Como o Marcio Sampa disse, valeu a pena esperar esse texto, ficou muito bom… é fato essa realidade de como as brandas brasileiras são conhecidas… sei que um dia até mesmo isso vai mudar… Foi bom lembrar algumas músicas do Legião…

  3. Flavio Marcondes disse:

    So complementando … é difícil citar nomes de bandas com essa diversidade que encontramos aqui na terrinha, posso dizer que o Brasil é a terra do Rock, do Punk, do Funk, do Blues, do Samba … enfim essa terra não tem para ninguém .. so queria fazer justiça e dizer que tem uns caras que simplesmente detonaram na década de 90 e deixaram seu legado devidamente atualizado até o ano 5230 ..Salve Chico Science e Nação Zumbi … que mas uma vez uma morte escrota apagou uma grande mente do nosso meio … Abraços a todos

  4. Alexandre Piccolo disse:

    Boa, eu tb!

  5. Sampa disse:

    É meia-noite. O texto mal entrou no site e eu já li (hehehehe). Valeu a pena ficar acordado esperando….

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Quem é Paulo Henrique?

Cristão, mineiro, 25 anos e jornalista.

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