Um outro mundo é possível?

Artigo por Márcio Sampa
19 de janeiro de 2004

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Cartaz italiano desenvolvido
para o Forum Social Mundial

Ao escrever o seu “A Utopia”, o pensador britânico Thomas More não imaginava que o termo emprestado ao grego (lugar nenhum) tornar-se-ia também sinônimo de impossível. Com efeito, More propunha em sua obra a criação de uma sociedade com os mesmos padrões materiais de sua época, mas sem os mesmos padrões morais.

Mais do que nunca, utopia tem se tornado um termo risível, empregado para, pejorativamente, classificar o pensamento daqueles que propõem alternativas ao modelo econômico-social vigente. Um bom exemplo disso é o tratamento que o Fórum Social Mundial – cujo lema é: um outro mundo é possível – recebe da mídia. Quando o evento ocorreu em anos anteriores na cidade brasileira de Porto Alegre, a imprensa brasileira, com muita má vontade, se viu obrigada a cobri-lo. Sempre destacando a torre de babel de propostas e a aparente falta de rumo e liderança do movimento. Este ano, com seu transcurso em Mumbai, na Índia, o silêncio jocoso de alguns órgãos de imprensa, subordinados em suas coberturas internacionais às CNN’s da vida, dá a dimensão ao desprezo que parcelas significativas da humanidade dão à discussão de alternativas ao modelo vigente.

O curioso, e ao mesmo tempo insano, é que esta discussão se torna a cada dia mais urgente. Para que tenhamos uma idéia, na próxima década, a produção mundial de petróleo deve atingir o seu ápice, o que significa que entrará em declínio logo a seguir. O combustível fóssil, tão avidamente disputado e ridiculamente escondido como motivação para a última guerra da única super potência mundial, é o responsável pelo efeito estufa que vem fazendo com que as temperaturas no planeta comecem a subir perigosamente. Igualmente perigosa tem se tornado a destruição dos recursos naturais. Só para ficarmos com um exemplo brasileiro, a floresta amazônica vem sendo destruída loucamente por madeireiros, grileiros e oportunistas, que corrompem os fiscais do IBAMA – Instituto Brasileiro para Preservação do Meio Ambiente - e fazem a festa do desmatamento. Dão-se ao luxo ainda de inviabilizar a legalização das demarcações de reservas indígenas, mantendo fortes lobbies junto a congressistas e quem mais se interpuser em seus caminhos.

Por outro lado, temos as questões dos números. Os sucessivos escândalos financeiros apenas atestam aquilo que muitos experts discreta e abafadamente vêm denunciando nos últimos tempos. A economia mundial está inchada por números falsos que fazem a festa dos especuladores financeiros nas bolsas de valores do mundo inteiro, mas que não conseguem se traduzir efetivamente em emprego e renda para a maior parte da humanidade.

A situação é tão nonsense que se do dia para a noite o planeta inteiro pudesse ter o nível de riqueza e consumo que detêm os Estados Unidos (paradigma a ser invejado e perseguido dentro do modelo vigente), os recursos naturais da Terra se esgotariam em um mês. Isto porque a nação mais poderosa do mundo capitalista, com menos de 5% da população mundial, consome 25% da energia e dos alimentos produzidos no globo (talvez por isso sejam na média tão gordinhos).

Mas afinal, um outro mundo é possível? É o que veremos no próximo artigo.


Titulo: Um outro mundo é possível?

Autor: Márcio Sampa

Gênero: Artigo

Data de publicação: 19 de janeiro de 2004

Resumo:

Pensar alternativas é o mínimo que se pode pedir daqueles que têm acesso a educação

3 Comentários

  1. Alexandre Piccolo disse:

    Hmmm… Não.

  2. Mário disse:

    Sampa, abordou o tema de maneira perspicaz, começando pelo empréstimo do termo “utopia” para as as alternativas ao modelo atual. Cheguei a ouvir que o Fórum Social era uma reunião de bicho grilos. Só o que eu pude fazer foi rir… Meu Deus… Belo texto, aguardo a continuação.

  3. Herbie disse:

    Abrir os olhos dos ignorantes é muitíssimo nobre. Só posso agradecer. Valeu, Sampa! E, acho que sim, esse outro mundo é possível.

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Quem é Márcio Sampa?

Jornalista, por vocação. Idealista, por opção

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