Como Dumbhold mudou o mundo

Conto por Paulo Henrique
30 de junho de 2004

Yuson Dumbhold nasceu no século XIX. Entre grandes nomes da sua época, a sua pena encontrou um lugar ao sol: foi o escrivão que registrou o B.O. de um dos (muitos) barracos de Oscar Wilde em Londres.

Mas nem só de histeria Dumbhold vivia. Seu romance com Marie Dafine lhe proporcionou momentos de pura emoção, principalmente quando ele flagrou sua mulher deitada com o jovem Wilhelm Maybach, que por sua vez prometeu dar uma Mercedez para a amante - mesmo sem ainda saber o que seria uma Mercedez.

"São coisas da vida", confessou resignado à seu amigo Gustave, com quem correspondia regularmente. Contou todos os detalhes tórridos do seu relacionamento com Dafine. Precisava desabafar com alguém e este seu amigo francês era de extrema confiança. Pelo menos era o que ele achava, até perceber que Emma Bovary era muito parecida com sua Dafine.

Mas seu bom círculo de relacionamento não se limitava apenas à Europa Ocidental. Em uma breve viagem de negócios pela Rússia - enquanto Dafine visitava um primo distante em Portugal - tomou um porre de vodka e perdeu todo seu dinheiro em partidas de ping-pong, sendo salvo por ninguém menos que Fiodor Mikhailovitch Dostoievski - que estava com passagem marcada (só de ida) para Sibéria. Dumbhold ficou meio ressabiado quando recebeu do seu amigo russo um exemplar do livro "O Idiota", com a seguinte dedicatória:

Caro Dumbold:

dedico-te esta obra.

ternamente,

F.D.

Esta dedicatória voltou novamente à sua mente quando Dafine - 10 anos mais tarde - ganhou um exemplar do livro "O Primo Basílio", com uma dedicatória igualmente intimista.

- "Foi meu primo quem escreveu!" - disse ela, enquanto saltitava alegremente em direção à sua alcova.

Mas nem o próprio Dumbhold imaginava que sua influência ia d'além mar: até Machado de Assis conhecia as suas desaventuras, através de fofocas de Portugal, trazidas pelas amigas de Carolina. "Todas serelepes", suspirava o bruxo do Cosme Velho. Dito pelo não dito, a verdade é que por pouco o personagem Vilela não se chama Yuson, em "A cartomante".

Dumbhold também viveu outros grandes momentos históricos, como por exemplo, com Otto Von Bismark, mas só até este resolver unificar a Alemanha, por causa daqueles deliciosos ovos mexidos encontrados em Lorena. Dumbhold também foi contra os acadêmicos franceses, quando estes negaram a Balzac o título de imortal, só por ele que era jornalista.

- "Jornalista também é gente!" - bradava Dumbhold, em defesa de seu amigo, enquanto Baudelaire se divertia ao preparar um cachimbo de ópio para os três fumarem mais tarde.

Yuson Dumbhold morreu cercado pelos amigos, no início do século XX, vítima de uma crise aguda de unha encravada. Marie Dafine ainda pôde viver um pouco mais, tempo suficiente para entrar na história como a invetora dos óculos modelo "gatinha" - ganhando assim estatura própria no cânone dos grandes artistas do século XIX.

(Todas estas aventuras estão registrdas em documentos valiosíssimos da época, sobretudo em sessões policiais e classificados. Em 2006, um descendente de Dumbhold - muito embora suspeitem que seja tataraneto de Charles Darwin - pretende lançar uma biografia mais detalhada deste homem que tanto marcou a história ocidental).


Titulo: Como Dumbhold mudou o mundo

Autor: Paulo Henrique

Gênero: Conto

Data de publicação: 30 de junho de 2004

Resumo:

Breves informações.

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3 Comentários

  1. Mário disse:

    Hehe, boa PH. Ficou no ar uma confusão entre ficção e realidade, cheio de personagens conhecidos com outros desconhecidos. Aliás, ainda estou na dúvida. :^) Gostei, hehe.

  2. JOEL disse:

    BOIEI

  3. Alexandre Piccolo disse:

    hahaha, bacana esse sujeito, esse nome, essa história e suas peripécias. A defesa “jornalista também é gente!” ficou hilária…

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Quem é Paulo Henrique?

Cristão, mineiro, 25 anos e jornalista.

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