Conto por Tiago Russel
13 de fevereiro de 2004
Eu sou você. Meu nome não importa agora. A noite está quente e úmida. Desfilo de carro pela rua. Desfilo sim. Andando devagar, consigo pensar melhor na vida, em como as coisas são depois que tudo acabou. Sinto raiva de mim mesmo, tanta estupidez, tanto “tudo” doado. Dei meu tempo, minha vida, minha personalidade, meu afeto, meus defeitos, meu amor… tudo. Até ficar vazio. Não tenho mais nada para dar em troca. Não valho nada.
Quero uma bebida. Preciso disso como de oxigênio. Quero entorpecer meu cérebro de nada. Quero um teto, um blackout. Entro num lugar esfumaçado. Do tempo em que eu era outro homem. Hoje sou apenas a sombra dele.
Encostado no bar, tento diferenciar um amontoado de corpos, rostos, cheiros e sons. Gosto da música, o que já é um avanço. Encontro pessoas conhecidas. Pessoas que eu fiz sentirem-se como me sinto hoje. Engraçado como o mundo dá voltas.
Não desaprendo. Estou apenas enferrujado. Deve ser de tanta água. Água sem gás, gelo e limão. No máximo um energético, que é pra eu não ficar como uma guriazinha, dormindo num papo entre amigos. Um rosto conhecido me diz “oi”. Como ela ainda fala comigo depois de tudo o que fiz?
Continuo encostado no bar. Olho fixamente para vários rostos, que são um só. Aquele “oi” vira um olhar. Sorte? Não. Meu antigo eu está ali, pulsando, buscando ter vez. Mas falta a voz. Ele decide amordaçar meu cérebro, trazendo o silêncio chapado que eu tanto buscava. Ela dança, dança, dança sem parar.
Fiquei impressionado com o que vi. Seus movimentos precisos eram frenéticos, totalmente hipnóticos. O olhar, escravizando pretendentes, cegava invejas e intimidava contestações. Nada pude fazer quanto a isso. Fui capturado inerte, praticamente como um vegetativo.
Acordo, mas não me atrevo a remexer as gavetas de seu corpo. Tudo está em seu devido lugar. Um conjunto perfeito que encara, provoca, quebra minhas virtudes com a ponta dos dedos, um cruzar de pernas e o balanço dos cabelos. Agora sei que não sou mais o que me tornei. Volto a ser um cão.
Não resisto. Nem me entrego. Apenas brinco entre os lençóis sentindo o perfume no travesseiro. Tento lembrar seu nome e evitar sua partida. É inútil. Garota Almoxarifado. Inesquecível assim.
Titulo: Garota Almoxarifado
Autor: Tiago Russel
Gênero: Conto
Data de publicação: 13 de fevereiro de 2004
Resumo: Uma noite vazia na vida de uma pessoa que não vale nada.
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eu nao gosteiii nao e muito chato e uma porcaria esse texto credo faiz um melhor tipo
vc nao ten o que fazer meu entao se manda
assim e melhor bjus