INFINITO

Conto por Tânia Toffoli
31 de março de 2003

A madrugada caminhava lenta, segundo a segundo, nos ponteiros do relógio da cabeceira. Podia ver as horas se arrastarem na penumbra do quarto. O movimento incessante daqueles pequenos pedaços de metal a passarem vagarosamente por cada um daqueles pontinhos reluzentes, depois tornar a fazê-lo outra vez… outra vez… outra vez… eternamente.

A cabeça pousada sobre o macio travesseiro… e os olhos fixos no relógio… não o via mais; apenas estava direcionado para aqueles ponteiros insistentes, autista… Podia ouvir às batidas do próprio coração… SÍSTOLE… diástole… SÍSTOLE… diástole… Átrios e ventrículos cansados. Sentia o sangue circular por todo o corpo. Podia realmente senti-lo passando por cada artéria, cada veia. Não movia nenhum músculo voluntariamente, relaxamento total do corpo, que pesava sobre o volumoso colchão.

Ouvia a própria respiração. Lenta. Comprida. Também sentia o ar entrando pelas narinas. Quente e suave adentrando o corpo até os pulmões inflados. Sentia o oxigênio chegar ao cérebro inativo…

Apenas via o tempo passar naquela posição imóvel. E os ponteiros caminhavam.

Inspirava… expirava… sístole… diástole…

Tudo num mesmo ritmo… hum…ahh…

Tum… tum… Tum… tum…

TICTACTICTAC

Cessa a respiração.

Cessa o ritmo cardíaco.

O relógio continua com seus ponteiros infinitos…

TICTACTICTAC


Titulo: INFINITO

Autor: Tânia Toffoli

Gênero: Conto

Data de publicação: 31 de março de 2003

Resumo:

Enquanto a vida acaba, o tempo continua… infinito.

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1 Comentário

  1. Francis Newton disse:

    Bela simetria, paralelo ousado mas preciso e precioso.

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Quem é Tânia Toffoli?

Estudante de letras, 19 anos, amante da literatura.

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