Conto por Mário Neto
4 de dezembro de 2003
Último minuto
O peito enchia e se esvaziava.
Um assovio fino acompanhava o movimento. O ar ao redor era frio. Assim sentia pela pele e pela ponta do nariz. O rosto magro e pálido e os olhos fechados, perdidos.
O peito enchia e se esvaziava.
Ele sabia que, no fundo, bem lá no fundo, estava vazio e não havia o que esvaziar. Só o que ele queria era encher.
O peito se encheu pela última vez e ele se encheu de esperança. Depois esvaziou-se inteiro, esgotando-se pelo ar o pouco que havia de si.
Assim transcorreu seu último minuto.
Corpo que cai
Um cigarro se acende. Sobe a fumaça em contorções de dor. Dói a alma.
A fumaça entra, sai e sobe. Queima por dentro o corpo que sofre.
Na varanda o corpo se apóia perigosamente, desejando cair naquele momento vertiginoso.
O corpo sobe e gira e se contorce com a alma agitada e leva consigo a fumaça.
Ao chão, divide o espaço das pessoas que pisam e passam deixando seus vestígios.
Mário de Souza Neto não fuma, não bebe, adora praticar esportes mas continua fora de forma.
Titulo: Morte em dose dupla
Autor: Mário Neto
Gênero: Conto
Data de publicação: 4 de dezembro de 2003
Resumo: A morte em dois (velhos) curtas.
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Cara, pesados…e ótimos! Valeu!