Conto por Alexandre Piccolo
6 de fevereiro de 2003
Fora um dia daqueles. Um não: passara as últimas 40 horas num turbilhão desenfreado.
Logo pela manha sentira um mau presságio: um copo quebrara durante o café. Fora à São Paulo cedo, assinar com um amigo o divórcio de outro. Ocasião completamente fora da rotina pruma simples terça-feira. Correra depois à faculdade, fizeram matrícula, até tomaram um café em comemoração à correria naquela megalópole. Vieram embora já mais calmos, com o vento de final de tarde batendo-lhes os rostos jovens.
Começo de noite inquieta. Novos encontros, velhos amigos. A confraternização, a bebedeira, algo havia de dar errado. Pairava no ar um "quê" inexplicável, falara de mais o dia todo, sempre saem frivolidades além da conta.
Em pura embriaguês correu para casa, sedento por sexo. Correu demais. Bateu. Correu atrás do vento, mais uma vez. Arrebentou o carro num momento de pura estupidez. Foi generosamente guardado. De novo, mais uma vez. Ainda assim vomitou, transou, gozou, pecou. Em mais um dia de pura vaidade e ventania…
Acordou cedo na manhã seguinte. A cabeça doía. A consciência - nem se fala. Refletiu. Reparou alguns erros. Pensou e pensou, o dia todo a pensar. Pagou algumas contas, corrigiu outras burrices. Seria um dia daqueles de muito pensar e algum agir, pouco, porém preciso e certeiro.
Tomou o último banho do dia já mais tranquilo. Leu algumas palavras sábias depois de uma refeição restauradora. Rezou. Em paz se deitou e logo pegou no sono, porque o Senhor o fazia repousar seguro.
Titulo: Repouso Seguro
Autor: Alexandre Piccolo
Gênero: Conto
Data de publicação: 6 de fevereiro de 2003
Resumo: “Em paz me deito e logo pego no sono, porque, Senhor, só tu me fazes repousar seguro.” - ficção ou realidade?
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