Conto por Tânia Toffoli
18 de setembro de 2003
Ficava tarde. Esperavam os ponteiros caminharem para passar um tempo. O tempo chegar. Não queriam pensar, embora houvesse muitos pensamentos. Talvez por isso ? era demais. Não queriam falar. Havia muito a ser dito. O tempo passava. Calavam-se.
A areia continuava a escorrer suavemente levando com ela os segundos perdidos que se arrastavam a cada lenta inspiração de um e de outro simultaneamente. Cada uma delas trazia sua respectiva expiração, custosa e pesada. E ambas mantinham dentro deles as palavras ? silêncio. Aquele que lhes custava as horas de angústia.
Pelo menos, ela já havia substituído a ansiedade. As mãos não suavam mais. Os pés não se moviam insistentemente. Isso simplesmente porque agora a ausência se fora. Agora, havia apenas os sussurros do silêncio ecoando em seus ouvidos.
Calavam-se. Não se moviam. Mas os ponteiros ainda caminhavam e a areia ainda escorria. O tempo não chegava. Esperavam passar um tempo. Sem pensamentos. Sem palavras. Era tarde.
Despediam-se. O silêncio é interrompido e, com ele, a angústia. A ansiedade retoma seu posto. Eles se lembrariam do não-falar. Havia muito a ser dito. Não queriam pensar. O tempo, mais uma vez, não havia chegado. Era culpa do silêncio. Esperavam passar um tempo.
Titulo: TEMPO
Autor: Tânia Toffoli
Gênero: Conto
Data de publicação: 18 de setembro de 2003
Resumo: É sempre difícil saber qual é o momento certo de calar…
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Silêncio e tempo compartilhados, silêncio e tempo interrompidos, intersecção de uma angústia da existência cujas companhia e solidão nem sempre andam em harmonia. Belo texto, denso; bela reestréia.