7.500 km

Crônica por Paulo Henrique
20 de janeiro de 2004

7.500 quilômetros. Esta foi a distância que percorri pelas estradas do Brasil, em menos de um mês. Desde o dia 24 de dezembro - quando fui para Nova Rezende (MG) passar o natal - até o dia 18 de janeiro - quando voltei de Rondônia - banquei o viajante.

Só nas Minas Gerais

Primeiro, como já foi dito, iniciei o aquecimento indo parar em Nova Rezende no Natal, a 300 quilômetros de Campinas. De lá, estiquei uns 80 quilômetros até Passos, também em Minas, antes de andar mais 350 quilômetros para retornar a Campinas.

Voltei para Campinas no dia 28 de dezembro. Já no dia 30, mau tinha descansado dos 700 quilômetros natalinos, tive que encarar generosos 900 quilômetros, para bater lá em João Pinheiro, cidade mineira pertinho de Brasília… Fui passar o Reveillón com meu pai, que mora lá.

Como viagem pouca é bobagem, resolvi novamente descer para Nova Resende, no dia 2 de janeiro. Mais 800 quilômetros, só de ida. Fui lá buscar uma camionete S10 que meu coroa providenciou para uma viagem especial que faríamos em breve. Dois dias depois, queimei os outros 800 quilômetros de volta para João Pinheiro. E ainda estava só no começo…

Goiás, pra começar

Já era dia 5, segunda-feira. Já tinha andado uns 3 mil km e ainda estava na véspera da viagem mais bitela de todas. Destino: Vilhena, Rondônia. No dia 6 de janeiro, embarcamos meu pai, a esposa dele, meu irmão e eu. Embarcamos embuídos do espírito de aventura necessário para cruzar os 2.100 quilômetros que separam João Pinheiro de Vilhena, onde mora a família da Márcia, minha noiva. Já tinha do 2 vezes para Rondônia, mas esta seria a primeria vez de carro.

Olha, vou te contar: a viagem é longa mesmo. Já em Goiás, passamos em Brasília, para conhecer os principais pontos da capital federal. Dormimos a primeira noite em Anápolis, devido os atrasos do primeiro dia. Pegamos a BR 040, ótima estrada que passa por Trindade, Jussara, Piranhas, Araguarças, entre outras pequenas cidades, antes de atravessar o Rio Araguaia e entrar em Bara do Garças, já em Mato Grosso.

Mato Grosso e Comprido

Taí um estado enorme. Mato Grosso. Mais de 900 quilômetros de extensão territorial. Tínhamos que atravessá-lo de cabo a rabo para parar em Rondônia. Tomamos fôlegos e fomos para frente. Entre uma cidade e outra, eram comuns os trechos de 200 quilômetros sem postos, sem cidades. As distâncias parecem ser maiores. São comuns placas assim: "Posto Onze Primos a 87 km".

Só não digo que a paisagem é monótona pois tem até caminhão lotado de índios na carroceria, a caminho de gigantescas reservas indígenas. Tem também muitas curvas, muito mato, muito boi, muito soja e diversos acampamentos do MST, daqueles que de vez em quando bloqueiam as estradas. Ainda bem que desta vez eles estavam tranqüilos.

Outra característica das estradas mato grossense é o perigo. Curvas, acidentes, carretas - muitas carretas - propiciam um clima de alerta durrante a viagem. Sem contar a serra e a chuva. Numa das paradas para esticar as pernas, em Primavera do Leste, um simpático matogrossense (aliás, êta povo bacana e falador…:-) nos contou histórias escabrosas da serra antes de Cuiabá, que estava a umas 2 horas na nossa frente. Como já era noite e chovia muito, resolvemos dormir ao pé da serra, numa cidade chamada Campo Verde.

Foi bom esperar a manhã seguinte para subir a serra. Afora as placas de alerta sobre os acidentes do mês de novembro (13 acidentes naquele percurso de pista simples), foi bom ver a bela paisagem matogrossense, com chapadas e muito mais, antes de entrar em Cuiabá. Paramos na capital para abastecer, pegar mais informações e conversar com mais cuiabanos bons-de-prosa. Daí seguimos em frente.

Peixe do Rio Paraguai

Depois de Cuiabá vem Cárceres, onde almoçamos em uma peixaria nas margens Rio Paraguai. As curvas anteriores a Cuiabá foram deixadas para trás. Agora só retões e retões. Pista calma e tranqüila, passando perto de cidades como Pontes e Lacerda, Mirassol D´Oeste. Mas quando tudo parecia ir bem, chega um trecho aterrorizante, com aqueles buracos que a gente vê no JN. Fizemos um percurso de 30 km em 2 horas, apenas tentando desviar - a 5 km/h - das enormes crateras que surgiam em bando a cada 50 metros. Terror total.

Quando passamos por isso, já era tarde, quase noite. Seguimos em frente, com a paisagem se modificando gradualmente, de pântanos para mata fechada. Estávamos no começo da Selva Amazônica, já perto de Rondônia. Ainda passamos pela isolada Comodoro, última cidade do Mato Grosso, antes de andarmos mais 120 quilômetros e chagarmos ao nosso destino: Vilhena, primeira cidade de Rondônia, também conhecida com o portal da Amazônia. Era dia 8 de janeiro, 20 horas, horário de Cuiabá.

Rondônia!

Aí foi uma delícia. Em Vilhena fiquei noivo da Márcia, numa festa perfeita que reuniu nossas famílias. Minha família ficou por lá até o dia 11 e voltou de caminhonete pelo mesmo percurso da ida. Eles chegaram bem em João Pinheiro no dia 13 de janeiro. Eu ainda fiquei na casa da minha noiva, para voltar de busão com ela no dia 16, direto para Campinas. Chegamos neste último domingo, depois de 2200 quilômetros, debulhados em 37 horas.

Ufa…

Agora é bom dar um tempo, ficar quieto por Campinas, antes de 2004 convocar de novo para outras viagens, seja para MG, RO, SC, GO, RS, BA… pois é, o Brasil agora ficou grande mesmo. Este país é um mundão…


Titulo: 7.500 km

Autor: Paulo Henrique

Gênero: Crônica

Data de publicação: 20 de janeiro de 2004

Resumo:

Por esta longa estrada da vida…

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7 Comentários

  1. Herbie disse:

    Ooooo PH!Parabéns (de novo) pelo noivado. Deve ser muito bom o encontro com a “mulher da sua vida”. Parabéns prá você também, Márcia! Que o PH, se mudar, só mude pra melhor, que esse cara é bacana demais!Um forte abraço e tudo de bom nessa nova fase. E que ela passe rápido, para o começo da nova fase de casados!Inté!

  2. Ronnie disse:

    PROTESTO! como assim não tem São Paulo na sua lista de viagens, eu sei que não é muito chegado aqui… mas está me devendo uma visita. Que bom brother que tudo correu bem e está de volta também. Deus é mesmo maravilhoso. Parabéns a você e a Marcia (ela é linda!). Tenho certeza que breve casarão e serão muito felizes. Me liga 82150015

  3. Cruzeirense disse:

    Corintiano, como eu gostaria de ter estado assim, “pirtinho” de vcs no noivado… de coração, estávamos lá! Agora, vai sê bão viajar por este nosso Brasilzão! Tem uns buraquitos, lógico, mas serve até pra gente não esquecer da estrada quando a beleza à nossa volta pode nos deixar desatentos. E as nossas paisagens, bão ser belas lá… no Brasil. E este nosso povo, único em cada rincão e, no entanto, irmão… e sempre nos ensinando, ensinando. Bom retorno! Curta o noivado! Um abração pra vc e Márcia.

  4. Mário disse:

    Quanto chão! Se eu andei alguns quarteirões nesse mesmo tempo foi muito. :^) Gostoso de ler as idas e vindas. Parabéns pelo noivado! []s!

  5. Alexandre Piccolo disse:

    ê beleza di subida… ê mundão…

  6. Bruno disse:

    E eu, depois de idas e vindas entre Uberaba, Floripa, Campinas e Ubatuba, pensava que tivesse viajado muito… Ainda vou conhecer todos os estados brasileiros, vocês vão ver! :-)

  7. Márcia Heuser disse:

    É muito chão! E tem muito mais pra rodar neste Brasilzão. Um beijo da noiva!

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Quem é Paulo Henrique?

Cristão, mineiro, 25 anos e jornalista.

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