Crônica por Leonardo Augusto
5 de janeiro de 2006
Foi-se 2005 !!!
Um ano em que o circo pegou fogo no Planalto Central; ainda bem, já que não teve nem Olimpíada nem Copa do Mundo. Nesse ano os tivemos a chance de ver shows históricos, seja pelo ineditismo, seja pela qualidade e importância dos músicos (ia dizer artistas, mas essa palavra tem outo sentido por aqui).
Veja bem: tivemos a chance, porque nem sempre tudo dá certo…
Comecemos então pelo TIM Festival. Bem, se você não sabe, é o mesmo Free Jazz, mas cigarro hoje é politicamente incorreto e Jazz, bem o que é Jazz mesmo? Se eles não sabem, celular também causa câncer. Enfim, você não pôde deixar de ver o reclame na TV: gente modernosa, descolada… Atração principal: The Strokes (algo como Os Infartos ou Os Punhetas), é só Rock ?n? Roll, mas eu gosto! Bullshit! O Rock se aventurou em várias dimensões, como no Progressivo, e não é só uma brincadeira de moleques. Agora vem mais uma Boy Band de Nova York, revestida de um messianismo midiático, para redimir o Rock mais uma vez. Sinceramente, se é pra ouvir Rock, recorra ao Beatles, Led, Who, e não a essas cópias mal feitas. E mais um detalhe: o batera é brasileiro, assim como numa infame Information Society que torturou nossos ouvidos em uma década nem tão remota…
Mas tudo bem, há outras boas opções: Wayne Shorter, veteranaço, mas não purista, do Jazz; Dr. John, ícone do moderno Acid Jazz, ?contaminação? daquele estilo com música eletrônica; Elvis Costello veio de novo, legal. Mas por que diabos eles não incluíram na propaganda o John McLaughlin? Porra, o cara é um dos maiores nomes do Fusion, tocou com Miles… não preciso explicar, porra! Eu tinha o direito a ficar sabendo!
Aí, um belo dia, eu abro a Lhofa de Pão Saulo e lá está uma nota minúscula: Show do G3 com Robert Fripp neste fim de semana em São Paulo. É de propósito? Não podia ter estampado na manchete da Ilustrada com alguma antecedência? Tudo bem, quem é Robert Fripp? Mas Satriani e Vai têm uma legião de adoradores… (foi em dez 2004, mas vai no pacote)
Num determinado feriado, pego um avião no Rio e leio que John Scofield fez shows na capital fluminense e estrela o Festival de Rio das Ostras… tarde demais.
Talvez esteja esquecendo algum, mas vamos pular pra novembro. Alvoroço geral: Pearl Jam pela primeira vez no Brasil! No meu ver, esta banda merecia muito mais crédito do que o Nirvana, mas talvez tenha sido melhor assim. Eles sim têm um som original e criatividade para dar seguimento ao legado do Rock. Bem, vou eu comprar os ingressos quando descubro que vêm pra cá Chick Corea, Dream Theater… Fora do meu alcance. Depois descubro que além desses, viriam Larry Coryell e Billy Cobham.
Agora mais um pouco de meu drama pessoal. Estava morando em Joinville. Comprei os ingresso pro Pearl Jam para Curitiba e Rio. Aí eu vou até Londrina e bato carro. Esqueço os ingressos no carro, peço para mandarem, mas eles fazem caca e eu perco os shows. Aí descubro que Chick Corea vai tocar em Curitiba. Mas eu perco a chave do carro reserva e danço de novo. E ainda por cima, o Billy Cobham tocou aqui em Brasília e eu não estava aqui.
Pra acabar sem tanta mágoa, fica registrado o excelente show a que eu assisti ? quase que por acaso ? do Musical Box, grupo ?cover? de Genesis (com Peter Gabriel) que executou na íntegra The Lamb Lies Down on Broadway (v. Quitanda 26/06) e o show do Premiatta Forneria Marconi, cujo grande momento foi quando o vocalista homenageou a genial película de Mario Moniccelli ,catando “Branca, Branca, Branca, Leon, Leon, Leon” !!!
Titulo: A Caça do Kiffa
Autor: Leonardo Augusto
Gênero: Crônica
Data de publicação: 5 de janeiro de 2006
Resumo: Vo. 3 de x
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