A esperança é o vento que move a nau da vida

Crônica por Márcio Sampa
10 de março de 2003

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O guerreiro Muñoz comemora
um gol (Foto Ag. Estado)

O futebol não dá camisa pra ninguém”, vaticina o velho José Carlos nos dias em que seu Corinthians perde. Mas na outra Quarta, ou Domingo, lá está ele de novo em frente à TV, reclamando da sua zaga incompetente e do volante que fez uma falta “besta”. Pra seu desgosto, seu filho, eu mesmo, é palmeirense, e claro vê tudo exatamente de maneira oposta. Ri com os erros e se aborrece com os acertos do seu Corinthians.

No último Sábado, papai Zé Carlos foi dormir feliz, o seu “timão” ganhou daquilo que um dia foi chamado de “Academia”. A gloriosa camisa dez de Ademir da Guia foi vestida por… francamente não me lembro. Mas com certeza, assim como faz papai, estarei lá no próximo jogo do verdão, acompanhando, torcendo…. Esta é a graça do futebol. Você saber que haverá um amanhã e que neste amanhã as coisas serão diferentes, melhores. A ilusão deste esporte é doce, assim como deveriam ser as expectativas em relação a tudo na vida. Saber que apesar do desencanto amoroso de hoje, amanhã será melhor… Que apesar da falta de grana pra fazer isto ou aquilo, amanhã será melhor. Que mesmo com as desventuras da vida, amanhã será melhor…

Creio ser por esta razão o futebol um esporte tão popular. Não somente pelo aspecto democrático que ele encerra, pois todos podem jogá-lo (já vi futebolistas cegos, coxos, usuários de pernas mecânicas, altos, baixos, brancos, negros, homens, mulheres, gordos, magros, de tudo um pouco), mas também pela sua imensa capacidade de renovar as esperanças, a cada jogo, a cada campeonato, a cada ano.

Gostaria de lembrar aqui Armando Nogueira, em um genial artigo escrito durante a Copa da Itália: “o futebol encanta pela bola, forma esférica, que lembra o globo terrestre, a perfeição cósmica”. Mas adendaria à poética alusão do famoso colega a idéia de que o futebol encanta também por nos lembrar sempre que na vida tudo se renova, tudo passa e a perspectiva do amanhã auspicioso nos faz viver melhor o hoje, em forma de semeadura, ou como diziam os antigos romanos, CARPE DIEM.


Titulo: A esperança é o vento que move a nau da vida

Autor: Márcio Sampa

Gênero: Crônica

Data de publicação: 10 de março de 2003

Resumo:

Reflexão sobre as relações entre o futebol e a existência humana

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Quem é Márcio Sampa?

Jornalista, por vocação. Idealista, por opção

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