A Marca Universal

Crônica por Gustavo Di Risio Araújo
5 de abril de 2003

Bom dia. Coloque seu braço neste suporte, por favor”. Esta será uma cena comum dentro de alguns anos em consultórios, bancos e empresas. Você não conversa, não abre a boca para pronunciar uma palavra. Um pequeno scanner passado sobre o seu braço será o encarregado de fornecer o seu nome, endereço, idade, situação financeira e de saúde, histórico escolar e familiar e todas as outras informações que antes só eram passadas como e para quem você queria.

Para aquele que ainda acha absurda a idéia, poderá presenciar dentro de um ano a cena de uma pessoa, em um quiosque no meio de um shopping center de qualquer capital brasileira, implantando em seu corpo o VeriChip, da americana Applied Digital Service. Do tamanho de um grão de arroz, este chip será implantado sob a pele de todos os que sonham com a segurança de ser identificado em qualquer parte do mundo e de ter sua saúde controlada. Para reforçar o fato de que isto já é real, 8 americanos possuem o chip em seu corpo como cobaias desde o início de 2002 e 4000 estão na fila de espera.

Os que implantarem infelizmente terão de abrir mão de parte de sua essência, seu caráter e sua inteligência. Você terá saudades das conversas quando conhecia uma nova pessoa, das descobertas. Agora a pessoa saca do bolso o pequeno scanner e identifica toda a sua vida. O homem passará, finalmente, a ser um produto de prateleira, sem opinião e parte de um único estoque mundial. Então as entrevistas de emprego não mais levarão 2 horas, mas apenas 5 minutos. Um simples programa de computador analisará se os dados lidos pelo scanner se encaixam no perfil procurado. E não venha tentar abrir sua boca enferrujada para acrescentar alguma informação, pois poderá causar espanto e desconforto entre os presentes.

Marcado com o VeriChip ninguém se perde, ninguém foge, ninguém mente. Um banco de dados e um sistema de localização via satélite serão encarregados de garantir a sua exposição ao mundo, sem pudor, sem ressalvas, sem discrição. Você será o número, não o José da Silva ou o Manoel Garcia. Seu sobrenome, seu legado de família, seus amigos, suas cicatrizes na pele não farão mais qualquer sentido. Não fará mais sentido o arrependimento, o pedido de desculpas, pois está tudo marcado. Infelizmente muitos ainda acham que “o Grande Irmão”, o ditador onisciente apresentado por George Orwell no livro 1984, é uma mera ficção.

Se isto não estivesse escrito há quase 2000 anos seria de se pensar que o homem está delirando. Cada um recebe a sua marca, a sua identificação. Você escolhe como e por quem quer ser marcado, a quem irá servir. E assim será definido o destino do mundo.


Titulo: A Marca Universal

Autor: Gustavo Di Risio Araújo

Gênero: Crônica

Data de publicação: 5 de abril de 2003

Resumo:

O destino do mundo parece estar escrito. Resta saber quem seguirá a quem.

, , ,

2 Comentários

  1. Leo Pataca disse:

    Mandou bem, Ríssio. Sintetizou bem o que vai acontecer… está chegando, está chegando…

  2. José da Silva disse:

    Bem, agora não vão mais me confundir entre tantos outros… ;^)

Deixe seu Comentário

Spam Protection by WP-SpamFree

Quem é Gustavo Di Risio Araújo?

Cristão, 26 anos, atua no conturbado mundo da tecnologia. Admirador dos bons pensamentos e da simplicidade, de uma boa leitura e das eternas amizades. Simples assim.

Bad Behavior has blocked 19 access attempts in the last 7 days.