Conspiração e Propaganda

Crônica por Leonardo Augusto
18 de janeiro de 2006

Dá só uma sacada na Info Exame deste mês. Essa publicação propala uma propaganda mal-dissimulada que hipnotiza muitos estudantes, da área da Tecnociência e Administração (como se não bastasse a própria 'Cadimia'), que depois de ler aquelas mensagens, acredita escolher livremente a carreira de executivo de multinacional. Sabemos que a Abril está a serviço de um projeto. O projeto que involve Ruppert Murdoch eliminando toda a concorrência através de aquisições de meio após meio de comunicação (se não se pode vencê-los…) de modo que seu virtual monopólio global da informação, amparado por suas corporações clientes, como Abril e Globo… Já vê onde eu quero chegar. Pois a capa desta publicação é simplesmente a seguinte: “Google: A fórmula mágica da empresa de tecnologia mais influente no mundo”

Por que não acreditar que o Google e seus apêndices como Orkut, Google Earth e por aí vai… sejam o arcabouço tecnológico do Grande Irmão? Ou que essa história de carteira de biblioteca com chip ou tarja magnética, isso tem um motivo… Afinal, se o Bush controla o que os cidadãos de lá lêem em bibliotecas americanas, violando direitos individuais mais primários, em nome da guerra ao Terror, não me surpreenderia quee a Abin o fizesse aqui.

O que eles fazem é incutir uma escala de valores no 'inconsciente coletivo' através de técnicas de marketing truculentas tais como mensagem subliminar e tudo mais, deixando você "livre" para fazer suas escolhas. E de vez em quando eles soltam algum filme hollywoodiano, uma matéria na Folha ou algo assim, reafirmando que qualquer um que se meta a compreender o sistema e sua lógica interna, essa pessoa deve ser tachada de esquizofrênico, com manias persecutórias… Confia-se-lhe a uma instituição, administra-se medicação que causa confusão mental suficiente para que essa pessoa volte da internação meio apatetada, mas pronta para ser assimilada de novo… Não existe teoria da conspiração, existem fatos; que, analisados sistematicamente, levam a uma compreensão do cenário, que vai depois ser tachada de simplista por algum intelectual da "intellgentzia" (ou antes "burritzia", como dizia o Tom Jobim) Se faz sentido, deve ser paranóia desse cara mesmo.

Pois bem, imagine que o cara dizendo tudo isso seja eu. Beleza, é só um (ex?) maconheiro safado, mesmo. Mas se for o Professor Chomsky do MIT? Aí é preciso que algum academicuzão apareça em horário nobre na FoxNews para dizer: Detesto dizer isso a Noam Chomsky, mas não existe uma sala onde ficam “puxando as cordas” (manipulando os fantoches). E se for a Heloísa Helena? É alguém que "acha que o muro de Berlim nunca caiu". Ou seja, basta ridicularizar essa pessoa junto à 'opinião pública' ou, como o próprio Zé Dirceu enunciou, "a opinião publicada (que) gera a opinião pública". Claro, ele e sua turma foram vítimas desse artifício até estarem em posição de revidar. Não estou fazendo campanha, repito: NÃO ESTOU FAZENDO CAMPANHA, mas ainda posso expressar meu ponto de vista. Não estou impondo um conceito ao meu leitor, estou oferecendo.

Com um senso de humor muito mórbido, eles usam um 'reality show', que nada tem de realidade, para conquistar corações e mentes em torno da 'única ideologia possível' hoje: o ego. O consumo é uma consequência do individualismo egotista. Dimensões como cintura, busto e quadril valem muito mais que perspicácia, cultura ou coerência. Num período recente de polarização, a assim chamada Guerra Fria, havia a Patrulha Ideológica, que criticava você por assistir ao Super-Homem no cinema, por exemplo ? e com muita razão. Hoje, a patrulha é assim: “esse papo tá muito cabeça, você viu com quem ela ficou no sábado, bla, bla…” Enquanto isso, implantam um pesadelo orwelliano típico: Ministério da Verdade, Guerra Permanente etc. E usam um termo orwelliano para deixar no ar, sugerindo, para quem quiser entender, a mordaz ironia deste programa-fenômeno-global, cujo nome, bem, é desnecessário dizer. É sempre uma questão de ser magro, forte, atlético, vazio e resignado. Esse é o modelo bovino, taylorista que eles querem perpetuar. Na real, é a própria estrutura que, como se fosse dotada de vontade própria, tende a se reproduzir no "tempo e no espaço” (ver M.Santos), “embora os nomes mudem, cada rosto mantém a máscara que usou" (Time Table, Genesis). Temos fantoches brincando de poder, mas o poder de facto é exercido pela máquna, que não precisa de uma sala secreta, ela gere e sustenta a si mesma. É isso.


Titulo: Conspiração e Propaganda

Autor: Leonardo Augusto

Gênero: Crônica

Data de publicação: 18 de janeiro de 2006

Resumo:

Remodelado e (um pouco) mais coerente.

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2 Comentários

  1. quincas disse:

    O rato é mais esperto que o gato. Esqueceu do To & Jerry, aquele desenho racista?

  2. Miguel disse:

    Leo,
    Por favor, você não está dizendo que acredita no “golpe das elites” no caso das denúncias contra o PT, certo ?

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