Cronistas, barbeiros, taxistas: uni-vos!

Crônica por Thiago Mom
10 de fevereiro de 2005

Considerando o que disse não lembro quem, que é uma pena que todas as pessoas que sabem exatamente como governar o país estejam ocupadas cortando cabelo ou dirigindo táxi (ou escrevendo crônicas, não acrescentaram), conversei com alguns barbeiros e taxistas aqui da ilha e chegamos a algumas soluções miraculosas ligadas ao trânsito no Brasil.

1) Fotógrafos de semáforo ? Como já sugeri no meu livro sem que as autoridades competentes me dessem atenção, as taxas de desemprego seriam drasticamente reduzidas se, em vez de fotografados por pardais eletrônicos, os carros em alta velocidade ou passando no sinal vermelho fossem flagrados por fotógrafos profissionais devidamente concursados.

2) Menos tinta ? Por que gastar com tinta pra faixa de pedestres, se no Brasil pé na faixa não tem nada a ver com pé no freio? Aqui a gente acelera e, generosidade suprema, torce pelo pedestre:

- Vou passar de uma vez e quem sabe não vem um motorista sueco atrás de mim pra parar pra você!

Que se tem notícia, a última vez que um brasileiro reduziu pra alguém atravessar na faixa foi em 1982, e mesmo assim teve seu Passat sodomizado por uma Belina em alta velocidade.

3) Placas eternamente provisórias ? Há muito adotadas nas BRs do país, as placas eternamente provisórias também significam economia e deveriam ser cada vez mais utilizadas também nas cidades. Numa rótula de Florianópolis, por exemplo, temos desde o começo de 2004 uma sinalização mais luminosa que um fliperama e com as bases fincadas no núcleo terrestre pra dizer que os ônibus podem PROVISORIAMENTE pegar um pedaço de contramão pra entrar na universidade. Por mais cara que tenha sido a placa (que é de alta qualidade), ela com certeza custou menos que a obra que nunca começou e que nem precisa mais ser feita.

4) Mais Zona Azul ? Ao contrário de nos torturarem aos poucos, nos brindando com parquímetros novos todos os dias, as prefeituras deveriam avacalhar: sistemas de estacionamento públicos (em Florianópolis, vulga Zona Azul) nos becos, nos bairros afastados, nas garagens, tudo vigiado por aquela verdadeira Uzi de notificações que é a fiscalização motorizada já existente em cidades como São Paulo. Depois de um ano, quando manter um carro tiver se tornado uma coisa definitivamente insuportável, a verba arrecadada em multas seria revertida na implantação de um sistema de metrô e em uma bicicleta nova pra cada motorista multado. Além de uma terapia contra a síndrome do pânico da notificação, claro.


Titulo: Cronistas, barbeiros, taxistas: uni-vos!

Autor: Thiago Mom

Gênero: Crônica

Data de publicação: 10 de fevereiro de 2005

Resumo:

Palpitólogos discutem soluções para problemas de trânsito no país.

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