Hans Staden

Crônica por Márcio Sampa
16 de janeiro de 2003

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Reprodução

Quando mais jovem, ao invés de consumir os clássicos da literatura, adorava devorar dois tipos de livros: os que relatavam grandes aventuras e os que narravam grandes batalhas da Segunda Grande Guerra.

Nesta toada li, entre outros, "A Primeira Viagem ao Redor do Mundo", livro de bordo sobre a viagem de Fernão de Magalhães; "Operação Barba Rossa", sobre a invasão da Rússia pelos alemães; "Cem Dias Entre o Céu e o Mar", a primeira grande aventura de Amyr Klink, cruzando o Atlântico num barco a remo.

Desta leva toda, um dos que mais me impressionou foi o livro de Hans Staden, a história do alemão que ficou preso durante nove meses entre os Tupinambás e escapou por várias vezes de ser por eles comido. Um livro escrito em 1555, mas incrivelmente fascinante e envolvente.

Dia desses, em pleno século XXI, estava eu em casa, meio sem saber o que fazer, e ao dar uma olhada pro lado vejo o jornal do dia com uma foto linda de dois índios, cabeça com cabeça, olhos nos olhos. Embaixo, a legenda: hoje, Hans Staden no Centro Cultural, de graça.

De graça? Hans Staden? Hoje? Não posso perder essa, pensei. Corri pra lá.

A sala de cinema do Centro foi enchendo, enchendo, e isto me trouxe um pensamento feliz, pôxa não sou só eu que gosto da história do Hans Staden.

Que filme bonito! Foi uma linda viagem no tempo, a um Brasil, que claro, não existe mais. Magicamente a película nos leva para dentro das ocas, das pirogas, das redes e até de um ritual canibalístico, com direito a ver índio chupando mãozinha assada e orelinhas humanas boiando na fervura. Tudo isso lá na região de Ubatuba, a pouco mais de cem quilômetros de casa, há pouco mais de quatro séculos atrás. Mas como filme brasileiro tem sempre que ter um final triste, fica o registro: dos Tupinambás e Tupiniquins que habitavam a região sobraram só os nomes Ubatuba, Picinguaba, Puruba, Una, Caraguatatuba. O filme termina com uma legenda mostrando que, já no século XVIII, eles haviam sido dizimados pelo invasor. Mais uma página triste de nossa história, tão mal contada nas escolas.

Mas, voltando ao Hans Staden, como diz o velho ditado: quem não nasceu pra ser comido pelos Tupinambás, jamais será… Esse cara tinha sorte. Que bom, sobreviveu pra nos deixar um legado impagável, sua própria história de vida.


Titulo: Hans Staden

Autor: Márcio Sampa

Gênero: Crônica

Data de publicação: 16 de janeiro de 2003

Resumo:

Comentários sobre livro e filme homônimos.

1 Comentário

  1. Melanie nogueira disse:

    deveria ter um resumo do livro para os alunos!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
    Issu eh um absurdo!!!!

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Quem é Márcio Sampa?

Jornalista, por vocação. Idealista, por opção

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