Crônica por Raymundo Silveira
19 de agosto de 2004

Se a doutrina da reencarnação vier algum dia a ser comprovada, não restará mais a menor dúvida: morei em Londres em uma das minhas vidas passadas. Em Setembro de 1980, ao chegar lá pela primeira vez, por terra, vindo de Dover, falei ao meu companheiro de viagem: "Já estive aqui!" O fenômeno do "já visto", naquela ocasião, foi o mais intenso dos que já experimentara. Enquanto se especula a validade ou não da teoria das vidas sucessivas, prefiro atribuir às minhas leituras - sobretudo Dickens - o meu "deja vu".Depois disto estive lá por outras três vezes. A primeira coisa que faço em Londres, após banhar-me e trocar de roupa é correr para o British Museum. Devo ter passado ali - computando-se as quatro visitas - cerca de quarenta e oito horas, e penso não ter visto ainda metade do que me interessa.Outros dois lugares onde esqueço o passar das horas é a National Gallery, na Trafalgar Square e a Tate Gallery, à beira do Tâmisa. Na primeira, existe um quadro impressionista que jamais deixo de ir ver: "Westminster Visto do Tâmisa" de Claude Monet. Na Tate, existem esculturas de Rodin como nunca vi na França. O maior acervo de Picassos que conheço, também está aqui. Paradoxalmente, acho Paris a cidade mais interessante e agradável do mundo, mas me sinto mais à vontade em Londres. Atribuo isto à minha maior intimidade com o idioma anglo-saxão do que com a língua de Balzac. Por outro lado, nunca consegui entender aquele verso de Caetano: "I’m in London, nowhere to go". Como, não ter para onde ir? Mesmo considerando-se a nostalgia do exílio, não se justifica tamanha indiferença. O que não faltam em Londres são lugares atraentes. O que falta em Londres, é tempo para ver a todos. Além dos já citados museus - que por si já significam metrópoles culturais à parte - citaria, somente na city: Hyde Park; Regent Park; Whitehall; Trafalgar Square; Piccadily Circus; Oxford Street; Museu de História Natural; Westminster Abbey(jamais esqueço de visitar aqui, entre outros, meu amigo Charles Darwin); Parliament; St. Paul’s Cathedral (de cuja torre pode-se admirar uma bela vista panorâmica da cidade, incluindo o Thames);Torre de Londres(com jóias da coroa); Ponte da Torre; Victoria and Albert Museum; Portobello Road (e suas famosas feiras de sábados); Underground (metrô ou "The Tube", que por si só já é uma atração; faça um giro pela Circle Line e visite a Victoria Station);Charing Cross Road (e suas livrarias);National Portrait Gallery;Embankment; Leicester Square(em Piccadily Circus);Palácio de Buckingham; Museu de Cera (não estou bem certo, mas acho que fica em Marylebonne); The Jewish Museum; Courtauld Gallery; Kennwood House; Bank of England Museum; Leighton House Museum; London Canal Museum; London Docklands Visitor Centre; London Brass Rubbing Centre; Bramah Tea and Coffee Museum; Thames Barrier Cruises(passeios pelo rio Tâmisa); Museum of Garden History. UFA!!! (E ainda falta tanta coisa!)Para não falar dos arredores de Londres: Southall Railway Centre; Capel Manor Gardens; The Thames Barrier; Dulwich Picture Gallery; Royal Botanic Garden Kew; Valence House; Kew Bridge Steam Museum…Como "Nowhere to go"? E as minijornadas às cidades que ficam a até 2 ou 3 horas (by car) ou menos, como Windsor e seu magnífico Castelo; Stratfford-upon-Avon(terra de Shakespeare); Bath; Oxford; Cambridge; Eton; Chester (e suas ruinas romanas); Stonehenge(E ainda falta tanta coisa!). Como "Nowhere to go", Caetano?
Titulo: London, London!
Autor: Raymundo Silveira
Gênero: Crônica
Data de publicação: 19 de agosto de 2004
Resumo: Há muitos lugares para se ir em Londres, ao contrário do que diz a canção do Caetano
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Maravilhoso!