Crônica por Leonardo Augusto
9 de junho de 2003
Como conquistar uma mulher que estude Matemática?
Com uma aproximação linear?
Eu vi uma vez uma frase num caminhão:
Vou rezar 1/3 para arranjar um ½ de te levar para ¼.
Talvez ajude.
Não… talvez uma abordagem heurística?
Mas você não é ateu?
Puta, você é um imbecil.
Mulheres que vão até os limtes…
Que têm um diferencial.
Criaturas ímpares.
Sem paralelo!!!
Que se dão de modo integral!
Bem, isso na relação ideal. Sempre há imprecisões, incongruências…
São fatores a serem equacionados.
Um amor sem razão, fora de proporção…
Você já experimentou o teorema de Pappus?
Se elas ao menos não apresentassem tanta variância…
Eu curto o tipo que, na cama, fica transformada.
Talvez um presente, algo de valor. Ou mesmo algo simplex.
Não, perdeu dez pontos.
Ou de valor médio…
Elas têm que ter, é claro, curvas de nível.
Mamas parabólicas e nádegas hemisféricas.
Vou-me permitir ser divergente.
Pois eu concordo em gênero, número e grau.
Em absoluto. Isso é uma simplificação.
O que importa é o valor relativo.
Mas não precisam ser ursos polares também.
Ah, é um assunto complexo. Nada lógico.
Dando segmento a seu raciocínio, há uma série delas,
uma boa parcela aliás, que são irredutíveis.
Não precisa pôr isso em evidência.
E esse conjunto não tem interseção com aquelas que crêem em união.
Mas há exceções à regra, pequenos cômpitos, em que dois se somam.
Às vezes se multiplicam, e depois se dividem.
E acabam subtraídos.
Ah, mil vezes maldito sistema!
Que saudade do campo, do interior,
dos coretos, esquinas e outros lugares geométricos…
Infame! Você é um resíduo humano!
O que me atrai são as singularidades…
O problema é que você é muito diferente do resto. Um outlier.
Não, não é essa a questão. É só um desvio do padrão.
Você é um desviado? Olha o que isso implica…
Cala a boca! Ora, sejamos racionais:
é natural que uma porcentagem de nós não forme pares.
Romance é algo do imaginário do universo inteiro.
É isso, o amor é falso. A pedra angular da civilização é um engodo.
Isso não é verdadeiro. Você está sendo binário.
Olha, eu nem sei se elas existem…
Parece que não, pois se cogito ergo sum…
É como um jogo de baralho: há pares, trios, seqüências, e Descartes.
E você aposta muito alto.
Deveríamos instituir um coeficiente de conquistabilidade ou…
Sim, mas qual seriam os parâmetros?
Talvez seja seu círculo de amizades. São todos quadrados.
São pessoas retas, normais. Regulares enfim.
Eu não estou contido nessa afirmação, estou?
Olha, na Bíblia há uma elipse…
Não saia pela tangente, seu plano de trazer um tema transversal não cola.
Você queria o quê? Uma solução trivial?
Ora, são seres vetores de imensa peçonha…
Você já está sendo ngativo. Olhe por outro ângulo e verás a raiz da questão.
A solução, será possível?
Com efeito, mas indeterminada.
Eu queria comer um paralelepípedo por ela!!!
Vês? Essa quantidade de cerveja te deixa transcendente…
A ouvir a música das esferas…
Mas seja discreto! Tens vivido numa contínua peça teatral.
É, não vá sair da linha ou vai acabar velado na igreja matriz…
O problema é que catar migalhas me dá dor na coluna.
Minha vista está ficando difusa.
Melhor pedir a conta…
Agora vem a prova dos nove.
Vou voltar para meus discos e meu velho Gradiente.
Bah, vamos, somos bons sujeitos afinal.
Ah, sim. Mas como queríamos demonstrar!
Titulo: Má temática
Autor: Leonardo Augusto
Gênero: Crônica
Data de publicação: 9 de junho de 2003
Resumo: Dois assuntos difíceis.
Bom… palavras discretas sobre elementos finitos de uma idéia contínua.
Reitero o comentário do Mário: Excelente! Gostei da forma como o texto dialoga e interconecta as vicissitudes da conversa cotidiana ao preciosismo da termologia “das exatas”, excelente trabalho.
Excelente! Para os são ou já foram exáticos, um prato cheio.
Bad Behavior has blocked 21 access attempts in the last 7 days.
Cara, isso às vésperas de uma prova da Cálculo Numérico o outra de Análise de Algoritmos II…você não calcula o bem que faz…:) Ótima Léo!