Crônica por Márcio Sampa
23 de novembro de 2003

Segundo a sabedoria popular, um homem* durante a vida pode trocar de várias coisas: de carro, de religião, de emprego, de esposa e até de sexo! Mas de uma coisa, uma paixão, ninguém em sã cosnciência troca. O clube do coração. Esta é uma relação inexplicável, quase que comparável à relação mãe e filho. O garotinho com seus seis ou sete anos escolhe uma cor, um distintivo, um hino, e não haverá ninguém que o demova, pelo resto de seus dias, desta convicção mais do que religiosa.
Existem aqueles que assumem uma postura blazé e dizem que não estão nem aí, mas quando pegam um jornal nas mãos não deixam de dar uma olhadela nos resultados do seu preferido. Existem os oportunistas. Aqueles que gostam de futebol, amam seu clube, mas só “vestem a camisa”quando o time está por cima. E finalmente, existem os verdadeiramente apaixonados. Aqueles que se solidarizam na alegria e na tristeza. Vão ao estádio quando o time está mal. Gritam, protestam, mas estão lá. Vão ao estádio, ou torcem à distância, quando o time está bem. Mas estão sempre ligados, atentos, cobrando raça, amor à camisa daqueles jogadores mais apáticos. A mesma raça que dariam se estivessem lá no gramado.
Foi esta última classe de torcedores que empurrou o Palmeiras na Segundona, que fez do Verdão o “Rei do Inferno”, e comemorou o título e o acesso como se fosse uma Libertadores (coisa que alguns estão longe de conquistar). O Palmeiras pôde contar com os verdadeiros palmeirenses desde a primeira rodada. A torcida se resignou com o rebaixamento, e todos juntos “arregaçamos” as mangas e “fomos” à luta. Se já era grande, com sua linda história de conquistas e tradição, o Palmeiras ficou ainda maior. A ascensão do Palmeiras dá vários recados aos indecentes e derrotados de plantão. É preciso acreditar sempre, a vitória dentro das regras e da moralidade é possível e, por fim, o verdadeiro amor, é incondicional, é na alegria e na tristeza mesmo, e dele nunca enjoamos ou o trocamos por nada, nem ninguém. Nas outras coisas da vida, a gente dá um jeito.
* Não queremos ser sexistas ao empregar os termos numa visão masculina dos fatos. Ocorre que normalmente os homens se interessam muito mais por futebol do que as mulheres.
Titulo: Na alegria e na tristeza
Autor: Márcio Sampa
Gênero: Crônica
Data de publicação: 23 de novembro de 2003
Resumo: A vitória do Palmeiras não é só estatística, é de ordem moral.
Sampa, que beleza de reflexão. Tens muita razão em destacar a ordem moral desta vitória do Palmeiras. Realmente isto vale mais que um título. Vale o resgate de valores importantes para a segundona - uma categoria tão disputada e emocionante como a série A - e também para os nebulosos critérios legais e éticos do nosso futebol pentacampeão. Estava torcendo para o Palmeiras para abrir este precedente histórico e acabar com as viradas de mesa, valorizar os times da série B, começar a televisionar esta divisão, enriquecer e promover o futebol como um todo. Gostei tb da inteligente provocação sobre “alguns” times que estão longe da Libertadores. Mas como um bom são paulino, não posso deixar de tirar uma onda: este texto não seria preciso se o porquinho não tivesse chafurdado na lama do rebaixamento. Bem vindo de volta a primeirona, mas cuidado para não cair de novo, viu? A “série A” é pra time grande e o parmeirinha vai penar… (ah, propósito, é bom vocês voltarem para podermos novamente cantar: “Chora porco imundo que o São Paulo é bi do mundo!”).
Sampa, beleza de reflexão… gostei de ver o Palmeiras subindo. Como vc disse, foi um feito moral. Pode resgatar a validade do descenso de um time grande para a segundona e, ao mesmo tempo, valorizar esta série B que também tem bons times e jogos eletrizantes. Isto valoriza o futebol brasileiro como um todo e dá um impulso financeiro, ético e técnico para o nosso futebol pentacampeão. Um comentário : gostei da observação sobre a Libertadores, título que “alguns” estão longe de conquistar…hehehe… Por último, uma provocação são paulina, como não poderia deixar de ser: o texto está ótimo, mas ele não teria existido se o porquinho não tivesse chafurdado no chiqueiro do rebaixamento. Mas bem vindo de volta à primeirona! Só toma cuidado para não cair de novo, viu? A primeira divisão é coisa de time grande e o parmerinha vai passar um aperto… Ah! e cuidado com a máquina tricolor (pois conforme aquele grito clássico: “chora porco imundo! O São Paulo é bi do mundo!).
Apesar de corinthiano, mando meus parabéns à nação palmeirense! Realmente foi um exemplo de amor e dedicação.Parabéns Sampa.
Perfeito, Sampa. Não só pelas colocações exatas, mas também pela exortação desse clube lindo. Viva o Verdão! Dá-lhe Porco!
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Márcio, estava já disposta a derrubar sobre você um discurso sexualmente correto, mas ao chegar ao final aceitei suas “desculpas”. Bom, sou palmeirense desde que nasci e meu filho também. É muito bonito falar de fome sem nunca ter passado fome, existem muitos que o fazem e isso chamasse falar “em tese”.Por isso é bom ser palmeirense, pois não falamos das experiências “em tese”, mas conscientes… Um abraço, Marilda Piccolo