Crônica por Paulo Henrique
3 de agosto de 2004

"Nôu uêi" - é assim que eu penso, todas as vezes que recebo um convite para entrar no Orkut, a mais nova mania sócio-cibernética no mundo. Aliás, não apenas a mais nova mania e, sim - sem dúvida - a maior febre já vista na recente história da internet comercial. É impressionante, mas todos estão no Orkut e toda a imprensa fala sobre o sistema; mestrados em sociologia e/ou comunicação social já começam pipocar nas universidades; o espaço virtual já é confundido com o real, dentro do Orkut.
Não é para menos: a brincadeira, por mais "tchonga" que possa parecer, é séria. O Orkut consegue mapear, em uma interface padrão, toda a rede social de parte da humanidade. Através do Orkut, o internauta consegue ver quem é o amigo-do-amigo-do-amigo e qual o caminho mais curto para chegar perto de qualquer pessoa que faz parte do sistema. Mais do que nunca, estão todos conectados.
É claro que, como todo ambiente virtual, as possibilidades de relacionamento pessoal são potencializadas, em relação ao mundo real. Por exemplo, eu tenho um amigão que, via Orkut, é amigo da Daniela Cicarelli, Luana Piovani e Léo Jaime. Uma agenda e tanto, que na vida real não seria tão simples para compôr.
Por outro lado, tirando estes notáveis, a comunidade deste mesmo amigo é composta por pessoas comuns que me conhecem, que por sua vez estão ligadas a outros amigos que eu também conheço, e assim por diante. Todos estes contatos formariam uma divertidíssima agenda de bons companheiros, independente do tempo, da distância e dos interesses em comum.
E justamente aí que mora o perigo. O mundo fica pequeno demais. O mapeamento destas conexões torna os usuários vulneráveis a diferentes tipos de interações, tudo ao mesmo tempo. Em português claro (aliás, o português já é o idioma mais falado do Orkut): é informação demais para a cabeça. Todos estes bons camaradas, se reunidos em um mesmo espaço, me deixariam perdido, pois são interesses muito díspares, que se convergeriam em um único e mísero ponto da face da terra: eu.
Sai pra lá… Mais do que não querer, eu não suportaria estar conectados a todas estas pessoas em um mesmo espaço. Os diferentes mundos que conheço e que hoje vivem distantes e em paz, se colidiriam em um mesmo browser, tornando minha vida - no mínimo - mais agitada do que já é.
Por isso que ainda prefiro um telefonema ou, de preferência, um bom bate-papo ao vivo. Apesar de perder o bonde da história, vou deixar o Orkut pra lá. Posso não colecionar os 734 amigos que eu teria no computador. Mas, com o passar do tempo e da vida, eu terei a oportunidade de encontrar com quase todos eles, com calma, cada qual em seu momento - dando a cada um deles a atenção que merecem, no seu devido contexto.
É por estas e outras que eu estou fora do Orkut. Não é nenhuma teoria conspiratória ou posição ideológica. Apenas não há como fazer mais conexões simultâneas em minha mente. Ela é mineira demais para tanto agito. Prefiro manter minhas conexões no plano da vida real, sem precisar de potencializá-las no plano virtual. Acho que meus amigos não vão ficar chateados comigo por isso. É mais tranqüilo assim.
Titulo: Orkute-me fora dessa
Autor: Paulo Henrique
Gênero: Crônica
Data de publicação: 3 de agosto de 2004
Resumo: Mêda.
Po PH não concorda com vc neste final, acho que o Orkut não tem este peso todo, alias eu acho que se limita a um brande “buscador” de amigos perdidos do planeta, normalmente, e eu acho que é uma caracteristica humana, estamos pouco ligando ou melhor se lixando pelos amigos dos amigos dos amigo da cicarelle. Nem temos tempo para nossos amigos, o que é uma pena. Resumindo o Orkut é mais uma ferramenta para os solitarios de plantão heheh.
De fato, PH, mas como você pode ver no Multiply, existe a possibilidade de configurar os acessos para os diferentes círculos de amizade, coisa que a versão beta do Orkut ainda não tem, mas provavelmente terá.De resto, a coisa toda é bastante cansativa, e não ficaria surpreso se no ano que vem poucas pessoas se lembrassem que raios é iso.
Oooo PH! Quanto tempo!Vou criticar sua opinião. Posso?Eu to lá no orkut, e nunca fico com todos no mesmo espaço na mesma hora. Ao contrário, quase nunca estou com ninguém. Redescubro um amigo com quem perdi contato há muito. Mando um email pra ele. A partir do contato dele, redescubro um outro colega que não via há mais tempo ainda, e descubro que ele é amigo do meu vizinho!! Aí sim, marcamos uma cerveja real, só nós, do mesmo colégio de padres da Vila Indutrial. Isso é legal! Passear pelas redes de amigos e “encontrar” sumidos dos tempos de escola. Não tem problemas se eles estão todos lá. Vc nao precisa entrar em contato com todos eles ao mesmo tempo. É como se fosse uma agenda viva, onde os contatos puxam outros que te perguntam “ei, lembra de mim?”.Concordo com o fato de misturar as suas diferentes turmas nao ser legal, mas um dia a gente faz uma celebração nossa e tem que convidar todas essas pessoas diferentes… como vai fazer quando se casar?
Forte abraço, e EXPERIMENTA, EXPERIMENTA, EXPERIMENTA!
putiz tb rodei, achei qia falar co presidenti nu lula@presidencia.gov.br
Pra mim também não daria PH. Maceió já é Orkut demais para minha cabeça. Aqui você conhece as centenas de pessoas que cruzam contigo no calçadão em horários simultâneos, embora nunca tenha parado para bater um papo. Vê as mesmas caras no shopping, praia lotada, supermercado… Até o pipoqueiro do cinema sabe quem você é e o tipo de filme que mais gosta de assistir … É claro que isso tem suas vantagens, tipo, pode pedir dinheiro emprestado a um conhecido casual na rua, que com certeza ele confia que vai te ver outra vez e pagar a dívida. Se o taxista não tiver trocado, então… deixa para receber no dia seguinte e volta porque sabe que você vai honrar o compromisso…Por tudo isso e também porque sou do tipo que ainda adora escrever cartas, embora quase ninguém responda…Tá bom do jeito que está.Quantidade nunca foi qualidade.
massa pê, eu também tô fora dessa, e conheço mais gente que não quer nem saber de mais essa novidade. aliás por falar em papo ao vivo, vamos tomar um chope qualquer dia!
Depois da saída à francesa, inventou-se a escapada à mineira. E por que “internet comercial” (interrogação).
Excelente texto! Orkutei-me fora dessa também.
Bad Behavior has blocked 21 access attempts in the last 7 days.
Concordando aqui e disconcordando ali - hehe -, o que vi foi uma análise no mínimo muito lúcida e tranquila. Garanto que não está perdendo nada. “Febres” são um saco. Aquele abraço!