Crônica por Leonardo Augusto
17 de setembro de 2005
Ovídio (perdoem-me aqueles que bem o sabem), foi um poeta latino cuja principal obra é ?As Metamorfoses?, onde compila toda a mitologia greco-latina; na verdade, dá a ela uma feição definitiva, já que ela sempre fora variável no tempo e no espaço. (Perdoem-me agora se falo alguma bobagem).
Mas também de sua lavra é um texto divertido, que tive o prazer de ganhar de presente de nosso artífice Alex LePetit: ?A Arte de Amar?. Embora numa tradução sofrível (não que tenha lido o original, mas erros de português abundam), esse livrinho de bolso é um manual da paquera pro Império Romano, uma espécie de precursor da Auto-Ajuda (ainda que com doses de erudição inaceitáveis para o mercado editorial hodierno).
Não pense, contudo, que vinte séculos bastaram para torná-lo ultrapassado. Ovídio, por exemplo antevê o advento do metrossexualismo (tendência de valorização da vaidade masculina, ou eufemismo para viadagem). Dê uma olhada:
“A Elegância
Mas não vá frisar seus cabelos a ferro, nem gastar suas pernas esfregando pedra-pomes. Deixe esses cuidados àqueles que, com gritos à moda frígia, celebram a deusa do monte Cibele. Uma beleza sem aparatos assenta aos homens: quando a filha de Minos foi raptada por Teseu, este não tinha arranjado sua cabeleira sobre as têmporas por meio de grampos. Hipólito foi amado por Fedra, apesar de sua aparência exterior negligente. Vimos uma deusa se agradar por um hóspede selvagem das florestas, Adonis. É pela simples elegância que os homens devem agradar: que sua pele seja bronzeada pelos exercícios no Campo de Marte; que sua toga caia bem e não tenha manchas. Que seu calçado esteja corretamente amarrado; que as fivelas não estejam enferrujadas. Que seu pé não esteja perdido e nadando num sapato muito largo; que um Corte mal feito não enfeie nem arrepie sua cabeleira; que seus cabelos, sua barba sejam cortados por mãos experientes, que suas unhas estejam bem cortadas e limpas, que nenhum pêlo saia das narinas; que um hálito desagradável não saia de uma boca malcheirosa, e que o odor do macho, pai do rebanho. não fira as narinas. Todo o resto, abandone ou às jovens lascivas, ou aos homens que, contra a natureza, procuram o amor de um (outro) homem.”
Titulo: Ovídio e o Metrossexualismo
Autor: Leonardo Augusto
Gênero: Crônica
Data de publicação: 17 de setembro de 2005
Resumo: Vaidade ou Viadagem?
Hahaha, vi agora alguns comentários. Não creio que o Ovídio esteja disponível para ouvir tantas críticas, mas duvido que ele fosse nazista ou que tivesse escolhido um final “brasileirinho” de propósito . No mais, parece-me um sujeito muito bem esclarecido.
Muito apropriado !! Deixe os modernosos suas patrulhas ideológicas babarem á vontade…a´liás, me mande alguns comentários para que eu também possa me divertir.
Que interessante a passagem “contra a natureza, procuram o amor de um (outro) homem”. Que me conste, o amor de homem/homem na Grecia antiga era considerado uma forma de amor aind amais elevada do que os proprios prazeres homem/mulher, por uma serie de motivos que nao convem relembrar nesse pequeno formulario.
Essa cronica acaba com uma “deixada” meio popularesca, que nao condiz com o que eu esperava dessa cronica.
Eu diria que acabou bem “brasileirinha” - com uma tiradinha ironica bem bossal e nao-esclarecida.
Pena.
deixa de ser bicha, frangona, e solta logo sua franga, maquie-se também, uhuuu!!!
Esse bagulho de metrossexual… o cara é tão viado que tem medo de dar o cu.
Muito interessante como leitura histórica, mas o tom ultra-conservador é completamente desnecessário. Afinal, para que tanta cultura? É preciso pensar na multiplicidade da vida e dos leitores. Abaixo o neo-nazismo!
Caras, cês tão com inveja dos gatões vaidosos ou com medo de se fundir neles?
Ótima dica, Léo, ler Ovídio é sempre bacana. Felizmente ele já separou, há uns par de anos, vaidade de viadagem, infelizmente tão em moda em nossa suposta modernidade. Abs!
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Espelho, espelho meu. Tem colunista mais polêmico do que eu?