Crônica por Mário Neto
25 de março de 2004
Na última semana, pesquisa divulgada por uma agência, que não quer se expor, revela que as mulheres adoram falar no telefone. Não ponho muita fé nesse tipo de pesquisa, geralmente são tendenciosas, mas desta vez tenho que concordar.
A maioria das mulheres que conheço gostam de ficar horas penduradas no bendito aparelho, conversando, batendo papo. O tempo que ficam conversando independe do assunto, pode ser algo sério ou apenas um olá. Aproveitam o fim de um assunto para começar outro, é incrível.
Isso sem contar as que recebem para falar, as teleatendentes. Pode verificar, a grande maioria das pessoas que trabalham com o serviço de atendimento ao cliente por telefone são mulheres. Lógico, todas as empresas que contratam exigem anos de experiência…
Pensando nisso, decidi eu mesmo fazer um teste, tornei-me espião. Fiquei acampado, escondido, em frente à casa de uma amiga. Grampeei seu telefone, sem que ela soubesse, durante uma semana.
Vou reproduzir aqui o trecho mais significativo entre todas as conversas gravadas, sem alterações. Os nomes foram alterados, para manter o sigilo. Apenas um detalhe, preste atenção na desenvoltura com que a troca de assunto ocorre.
- Alô?
- Oi Milene! Tudo bom?
- Quem é? (risos)
- Sou eu! A Pati! (mais risos)
- Há, oi amiga! Tô ótima! E você?
- Também! Adivinha o que eu tô comendo?
- Sei lá, bombom? (gargalhadas)
- Não, bolinho de bacalhau, minha mãe que fez. Quer comer?
- Quero. Dá um pedaço?
- Toma…
- Hum. Uma delícia… (risos)
- Sabe, eu tô achando ótimo esse xampú que comprei. Ele dá uma consistência, um brilho… dá uma olhada…
- Nossa, é mesmo. Qual o nome do xampú? Meu cabelo tá horrível, o Paulinho até reclamou…
- É um de camomila, não lembro o nome. Mas me diz, como você está com o Paulinho?
- Tá meio chato. Ele vive reclamando que eu fico horas no telefone com ele, que as contas estão meio altas…
- Ah, homem é assim mesmo! Homem é tudo igual!
- É verdade. Acredita que um hoje me deu uma cantada?
- Não brinca!
- Sério. Ele era lindo, mas nem dei bola. Veio com aquela mais manjada, que eu tinha belos olhos…
- Nossa, essa é manjada. Hum, falando nisso, fiquei com uma vontade de comer manjar…
- Tem lá em casa, quer comer?
- Quero…
- Então vamos, desliga…
Fiquei sem entender, pois vi as duas saírem juntas pela porta da frente. Só no final descobri que uma delas estava com um telefone celular…
Mário de Souza Neto não gosta de falar ao telefone, apesar de perder a noção do tempo quando está conversando com amigos que há muito tempo não encontra.
Titulo: Só por telefone
Autor: Mário Neto
Gênero: Crônica
Data de publicação: 25 de março de 2004
Resumo: Elas são a alegria das operadoras de telefonia…
Bad Behavior has blocked 21 access attempts in the last 7 days.
Ainda bem que você avisa no princípio que essas pesquisas geralmente são “tendenciosas”… ;^)