Crônica por Alexandre Piccolo
24 de janeiro de 2003

Acontece nestes dias em Nova Iorque uma exposição dos desenhos de Leonardo Da Vinci (1452 - 1519), novidade noticiada no NYTimes desta sexta-feira. Quando a li, por um breve momento, quis muito estar na Big Apple e poder contemplar a obra deste homem ímpar na História da humanidade. No entanto, "preso" em Campinas, e para não me remoer de desejo e insatisfação, divertia-me a relembrar minha boa semana que passou, para que cada detalhe insignificante do que aconteceu me fizesse esquecer o que "perdia" lá fora, para, enfim, contemplar um pequeno mundo ao meu redor.
Na segunda, pude brindar com meus amigos o aniversário do saudoso economista, Serjão. Jovem amigo desde os primeiros dias de vida longe de casa, ingressante e reingressante de dois cursos distintos na faculdade, pude trocar com os irmãos novidades, risos e abraços - momentos de pura nostalgia e fraternidade. Mais curioso foi a conseqüência da embriaguês, quando acabei em casa ivre e com uma mulher "desconhecida ao acaso", a jovem Cíntia. A semana prometia, cintilava esta segunda-feira…
Na terça, para me resguardar da balada da véspera, apenas li, no descanso depois do trabalho - sábia maneira de recuperar o ânimo, a reflexão e a saúde. Na quarta, numa tarde calma e tranqüila, compartilhei projetos e outras boas idéias com meu velho irmão PH; e, para encerrar o dia, fui ao cinema sozinho, encontrar a aventura e 007 pronto para salvar o mundo mais uma vez, para poder voltar para casa e dormir em paz.
Na quinta, de forma inesperada (para fazer jus ao dito "o acaso, que é um deus e um diabo…" daquele velho amigo bruxo), parti depois do almoço para São Paulo. Encontrei o antigo companheiro de curso, agora filósofo, Socha, no centro da cidade que amanhã faz seus 449 anos. O café e o papo foram agradáveis, mas tácitos. Creio que efeito do burburinho da cidade, dos conflitos arquitetônicos, dos andar frenético das pessoas, do vento que não tem caminhos para seguir, mas sopra, por entre apertados espaços que existem entre almas que há muito se esbarram; mundo fantasmagórico, talvez daí seu fascínio e repúdio. Terminei o dia (depois da leitura de algumas palavras de Correa Júnior, cujos versos gerarão um texto, em breve) numa carona de guarda-chuva com uma senhora de seus 50 anos, Dona Benedita, funcionária da biblioteca que gentilmente me deixou no terminal do Anhangabaú. E eu rumo de volta a Campinas. E mais chuva ao chegar…
A sexta… Bem, na sexta tudo dentro da mais calma rotina, sem grandes alardes ou inquietações. Uma sessão de comerciais premiados, uma reunião de criação… Ah, apenas um artigo, no NYTimes, que falava de uma exposição de Leonardo Da Vinci em Nova Iorque, e que me fez lembrar de minha semana a passar…
Titulo: Um pequeno mundo ao meu redor
Autor: Alexandre Piccolo
Gênero: Crônica
Data de publicação: 24 de janeiro de 2003
Resumo: palavras ao acaso no fim do dia…
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