Crônica por Márcio Sampa
8 de março de 2004
Nos últimos dias discuti com alguns de meus interlocutores a importância da existência de uma data específica como o Dia Internacional da Mulher. Alguns desses interlocutores saíram com pérolas como, todo dia é dia das mulheres, ou ainda, que a data seria apenas mais uma daquelas instituídas para alavancar o comércio(?!).
Nada disso! O Dia Internacional da Mulher, a exemplo de outros períodos significativos do calendário, marca um dia de reflexão em dois campos. O primeiro é sobre a especificidade da mulher. E quando falamos em mulher não nos referimos somente aos encantos de uma jovem na plenitude de seus vinte e poucos anos, mas nos referimos também a beleza de uma menina, que desde cedo aprende a conviver com graça e sabedoria num mundo supostamente dominado pelos machos. Nos referimos a beleza da mulher madura que sabe revalorizar a sua condição feminina, ao perceber que os encantos da juventude começam a abandoná-la. Nos referimos, claro, a condição insubstituível e quase impossível de dimensionar de mãe, companheira, amiga, conselheira e tantos outros predicados que somente a feminilidade pode conferir a um ser humano.
Mas dizíamos linhas acima que o Dia Internacional da Mulher marca uma reflexão em dois campos. Pois bem, o segundo deixa de lado o lírico para nos jogar no político. Um terço das mulheres no mundo já sofreu algum tipo de violência perpetrada por seus companheiros. Ao contrário do que se pensa, a maioria das vítimas de abuso sexual sofreu este constrangimento por parte de pessoas de seu círculo íntimo de relacionamento. O assédio sexual, a discriminação no mercado de trabalho, o desprezo sofrido em muitas culturas pelo simples fato de ser mulher e até a autovulgarização praticada por algumas mulheres, que não sabem o quanto estão sendo machistas com suas atitudes, são práticas cotidianas da sociedade global.
Costumo dizer que o primeiro passo para se tratar uma doença é diagnosticá-la e aceitá-la. Nós, homens, já praticamos em nossas vidas diversos desrespeitos e atentados contra a condição feminina. Refletir e discutir os problemas da mulher é trabalhar por um mundo melhor para todos. Viva a diferença, sim. Mas a diferença que complementa e faz da nossa aventura neste planeta algo apaixonante e fecundo, como só uma mulher pode ser.
Titulo: Viva a diferença, sim!
Autor: Márcio Sampa
Gênero: Crônica
Data de publicação: 8 de março de 2004
Resumo: Nada disso! O Dia Internacional da Mulher marca um dia de reflexão em dois campos.
Bad Behavior has blocked 21 access attempts in the last 7 days.
Excelente! E concordo com o texto…