Ensaio por Paulo Henrique
23 de setembro de 2003
- O amor é um processo longo, que passa a barreira estética da paixão e da beleza. Do vinho e das flores. Dos momentos mágicos. Sua grandeza consiste em chegar na essência, em ver uma monte de defeitos na pessoa amada e ser capaz, conscientemente, de dizer: não vivo sem ela.
- O amor é macro e micro. Macro nas ações como um todo, diretrizes da vida, decisões tomadas que vão influenciar para sempre sua existência. Micro em cada pequeno detalhe, em cada dia singular da vida. Seja naquele mimo ou nesta brincadeira. "Tão contrário assim, só mesmo o amor".
- O amor é paciente e benigno. Já disse Paulo: "tudo suporta, tudo crê". Não existem barreiras que não podem ser superadas por este amor, não há dores, nem más lembranças. O amor renova. Por outro lado, não há crime que possa ser movido pelo amor. Sua natureza é outra. Seu movimento busca a paz.
- O amor é feliz, é grato. Sua força consiste justamente na certeza que este é o caminho certo, na segurança de querer continuar. Mesmo com os problemas e contratempos. Este é o diferencial do amor em relação a todas as outras sensações da vida.
- O amor está dentro de cada um. Só a experiência viva permite que este sentimento cresça, vá além da superficialidade. Não há livros, nem erudição capaz de substituir esta experiência. Quem não viveu, não é capaz de concebê-la.O caminho é um só.
- O amor destinado a uma única pessoa permite que esta experiência seja a mais profunda possível em uma vida. Compartilhá-la vai além da sensualidade, além da conveniência e das boas sensações. É uma experiência construída em tempo real, em um caminho que você sabe que é certo. Como saber isto? Apenas vivendo.
- O amor é contrário a superficialidade, a ações levianas. É uma escolha. Aparentemente os caminhos largos são mais divertidos, sensacionais. Mas logo se esvaziam, poucos passam da esquina. O caminho do amor é um constante enchimento, diretamente proporcional ao aprendizado, maturidade, doação. Por isso causa algum sofrimento. Mas só ele permite a realização. É obra estreita para uma vida inteira.
- Grandes obras da humanidade foram movidas pelo amor. Seja pelo amor a música, pintura, letras, causas e nações. Observe que todas obras exigiram total compenetração e dedicação de quem amava. Mas nenhuma canção é maior que uma vida. Portanto, nenhuma sinfonia é uma realização maior do que amar de fato alguém. São ordens de grandeza distintas.
- O homem foi feito para amar, pois sua natureza é oposta ao amor. O ódio, a mentira e as complicações fazem parte da natureza humana. A existência do homem se justifica ao inverter esta natureza, ao virar de ponta-cabeça a ordem das coisas. A história da humanidade mostra isto. Os grandes feitos de amor mudaram a história. Os atos de desamor, tentaram destruí-la.
- Deus é amor.
Titulo: Amor
Autor: Paulo Henrique
Gênero: Ensaio
Data de publicação: 23 de setembro de 2003
Resumo: Turbilhões de quem nada sabe. Só sente.
Irmão, são notáveis os preceitos cristãos em sua definição do Amor, cuja essência está além das palavras de quem admite que nada sabe, apenas sente. Gostei de sua compilação, fluente, verdadeira. E especialmente de sua conclusão.
Gostei muito. Parabéns ao PH pelo lindo texto.
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Tão difícil definir em palavras sentimentos, sejam eles instintivos ou complexos. Fica muito claro em suas palavras o quanto o amor se aproxima do ideal de amor cristão, o que de certa forma era esperado pela sua confissão de fé. Acho uma forma corajosa de expor uma certeza - que é sua e de outros cristãos - e um convite àqueles que querem conhecer o amor. E o amor, aproveitando o que você colocou em outro texto seu, assim como a felicidade, tem virado commodity, obrigação. E falar da natureza humana é um grande risco. Para sermos mais exatos, poderíamos falar da natureza humana ocidental, da natureza humana capitalista, da natureza humana cristã, etc.