Matrix. Muitos viram, poucos entenderam.

Ensaio por Márcio Sampa
2 de fevereiro de 2003

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Cartaz que reproduz o momento em que
o personagem Neo se liberta do Matrix

As more as you smoke, more Babylon falls”, cantava o monstro da música e sábio contemporâneo, Bob Marley. Como homem religioso que era e detentor de um profundo senso crítico em relação a seu tempo e às mazelas humanas, Marley costumava associar estas fraquezas à Babilônia.

Esta cidade da antigüidade, conhecida nas escolas como sede de uma das sete maravilhas do mundo ? seus jardins suspensos ? ficou também conhecida por menções nas Escrituras Sagradas como um local onde o brilho dos metais se sobrepunha ao brilho dos olhos dos homens. Ali, as pessoas viviam iludidas pelo esplendor da corte do rei Nabuco, surgindo daí a expressão nababesco para as ostentações materiais.

Mas, voltando a Marley, o cantor jamaicano costumava apregoar a necessidade de se escapar da Babilônia em busca do reino de Jah. É claro que ele não se referia a uma cidade da antigüidade e sim ao mundo moderno, o mundo que ele conheceu. E claro também é que o reino de Jah não era nenhum lugar perdido no coração de alguma floresta exótica e sim um estado de consciência.

Pouco menos de vinte anos após a morte do rei do reggae, o tema voltaria ao mainstream, agora impulsionado pelas telas do cinema, sob as formas do complexo "Matrix". Muita gente o assistiu , pouca gente o entendeu.

Revestido de uma linguagem cibernética, adequada aos nossos dias de Internet, banda larga e amizades virtuais, o filme estrelado por Keanu Reaves e Laurence Fishburn, mais do que contar a história de uma sociedade totalmente controlada por máquinas, quer mostrar o quanto estamos dominados pela Matrix, a Babilônia de Marley.

Para entendermos melhor esta temática é preciso lembrarmos de um preceito budista, o Maya, o mundo das ilusões. Para um budista todos nós nos encontramos presos ao Maya, a Babilônia bíblica ou a Matrix holywoodiana. Seja como for, a idéia é a mesma: todos dormimos e precisamos despertar. Algo como a dupla personalidade do personagem principal do filme. Por um lado, o Mr.Anderson, que pagava seus impostos, comparecia ao seu posto de trabalho e contribuía com sua parte para o nosso belo quadro social. Por outro, havia Neo, o rebelde, aquele que passou a vida inteira procurando, mas sem saber exatamente o quê. Dentro de cada um de nós mora um Anderson e um Neo. Um ama a Babilônia, o outro busca um algo mais. Só um pode vencer…

Semana que vem retomo este tema. Até lá!


Titulo: Matrix. Muitos viram, poucos entenderam.

Autor: Márcio Sampa

Gênero: Ensaio

Data de publicação: 2 de fevereiro de 2003

Resumo:

Uma análise metafísica do filme que está para os 90, como Blade Runner está para os 80.

1 Comentário

  1. Alexandre Piccolo disse:

    Sampa, não lembrava desse seu texto (você lembra?)… bem bacana o início da reflexão sobre um filme tão “polêmico” (ou tão cheio de referências que permitem tanta polêmica). Venha rever, se puder, esse espaço onde conseguimos recuperar os arquivos daPatada. E mande notícias. Grande abraço!

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Quem é Márcio Sampa?

Jornalista, por vocação. Idealista, por opção

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