Non Serviam

Ensaio por Marco Feitosa
30 de setembro de 2003

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Slawek Wojtowicz

Estou aqui para escrever poesias. E já no primeiro espaço que me oferecem deixo-as em segundo plano. Mas há um motivo para a poesia ser deixada, momentaneamente, de lado.

Pediram-me para sempre escrever algo antes das poesias para elas não ficassem “soltas”, sem referenciais para os leitores. Ok! É isto o que estou fazendo. Apesar de acreditar que a poesia é algo que não deve ser interpretado, mas sentido, cá estou fornecendo alguns parâmetros de leitura, pelo menos para meus escritos. Um dia eu tento escrever um manifesto poético.

Este pequeno texto possui elementos intrínsecos que podem fornecer “algum” referencial de leitura, e só, o resto é com o leitor, ou eventuais futuros estudiosos biográficos deste que vos escreve.

Para tanto, invoco um dos maiores poetas da língua portuguesa, Álvares de Azevedo:

"Cuidado leitor, ao voltar esta página!

Aqui dissipa-se o mundo visionário e platônico. Vamos entrar num mundo novo, terra fantástica, verdadeira ilha Baratária de D. Quixote, onde Sancho é rei, e vivem Panúrgio, sir John Falstaff, Bardolph, Fígaro e o Sganarello de D. João Tenório - a pátria dos sonhos de Cervantes e Shakespeare.

Quase que depois de Ariel esbarramos em Caliban…

Demais, perdoem-me os poetas do tempo, isto aqui é tema, senão mais novo, menos esgotado ao menos que o sentimentalismo tão fashionable desde Werther e René…

Ficarás tão adiantado agora, meu leitor, como se não lesses essas páginas, destinadas a não ser lidas. Deus me perdoe! assim é tudo! até os prefácios! " [1]

Assim é a poesia, contradições não contraditórias. Sentimentos, sensações não sentidas, mortes vividas, prazeres doridos etc.

"São os primeiros cantos de um pobre poeta.

Desculpai-os. As primeiras vozes do sabiá não têm a doçura dos seus cânticos de amor.

É uma lira, mas sem cordas; uma primavera, mas sem flores; uma coroa de folhas, mas sem viço.

Cantos espontâneos do coração, vibrações doridas da lira interna que agitava um sonho, notas que o vento levou ? como isso dou a lume essas harmonias.

São as páginas despedaçadas de um livro não lido…” [2]

"Vais ler uma página da vida; cheia de sangue e de vinho…" [3]

Eventuais leitores ou corajosos amigos que tenham disposição para ler estas páginas lembrem-se, a poesia é vida, mesmo que morta!

E era uma vez uma pessoa que disse: Non Serviam.

Marco Antonio Ribeiro Feitosa,

madrugada de 30 de setembro de 2003.

[1] Azevedo, Álvares de; Lira dos Vinte Anos.

[2] Idem.

[3] Azevedo, Álvares de; Macário.


Titulo: Non Serviam

Autor: Marco Feitosa

Gênero: Ensaio

Data de publicação: 30 de setembro de 2003

Resumo:

Pseudo roteiro de entendimento das poesias que futuramente serão exibidas pelo escritor.

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2 Comentários

  1. PH disse:

    Bem vindo, Feitosa! Avante! (como Quixote et alli…)

  2. Alexandre Piccolo disse:

    Hehe, bem, agora faltam os poemas que, pela expectativa criada, chegam à altura de Álvares de Azevedo, aqui tão invocado… ;^)

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Quem é Marco Feitosa?

Poeta, boêmio, músico e, às vezes, jurista.

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