Ensaio por Paulo Henrique
15 de julho de 2004

"Ó profundidade da riqueza, tanto da sabedoria como do conhecimento de Deus!
Quãos insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis, os teus caminhos!
Quem, pois, conheceu a mente do nosso Senhor?
Ou quem foi seu conselheiro?
Ou quem primeiro deu a ele para que lhe venha ser restituído?
Porque dele, e por meio dele, e para ele são todas as coisas".
Rm 11:33-36
É sempre bom me deparar, de tempos em tempos, com a necessidade da Graça de Deus. Apesar do peso do mundo, do peso da própria existência e da própria imperfeição, preciso ter a consciência de que eu não estou no controle da situação. E sim Deus.
Não é comodidade ou negação do livre arbítrio. Pelo contrário. Desejo, cada vez mais, assumir a responsabilidade pelo meus atos, pela minha vida, mas com a certeza de que eu não estou sozinho, que não estou no comando da minha vida. Quero ter sempre a consciência (e a gratidão) de que meu futuro pertence a Outro, muito maior, muito profundo e inconcebível - conforme o raciocínio do apóstolo Paulo, que abriu este texto.
Esta é a Graça de Deus, que superabunda a vida. Tira de nós a (vã) tentativa de justificar a insignificante existência. E não pode ser diferente pois, caso contrário, morreremos. "Não confio no meu arco, e não é minha espada que me salva" (Salmo 44). Nós somos imperfeitos por natureza. Nossos erros, de um modo ou de outro, tendem a nos levar para a perdição, para a morte.
Todos nós erramos e vamos errar até o final dos tempos. É justamente aí onde reside esta Graça, pela qual estamos livres. Ela vem de Deus e transborda por causa de Seu Amor por nós, que nos concede livramentos e bênçãos que não merecemos. E a Paz que o mundo não pode tirar.
A maior expressão desta Graça é o sacrifício de Jesus Cristo, o Amor em pessoa. Deus se humilhou, tornou-se servo, proclamou seu Amor como base de nossa existência e, na cruz, justificou a humanidade. Este ato é a única razão de existirmos. Sem esta dádiva definitiva, limitamo-nos à matéria, à justiça dos homens, à loucura. À morte.
Volto a falar: esta Graça não nos exime de responsabilidades. Em cada momento que nos deparamos com ela, nos fortalecemos na fé, aprimoramos nossa trajetória e, por conseqüência, continuamos a caminhar com mais certezas, com mais zêlo pelo Dom da Vida.
A Graça nos faz ter cada vez mais amor pela vida. E com isso, cuidarmos melhor dela, olhando para o exemplo que Cristo nos ensinou, mesmo sendo imperfeitos. Por isso que podemos ver na Bíblia todos os heróis clamando pela misericórdia de Deus e buscando o refúgio no Altíssimo. Se você notar bem, o único homem exaltado na Bíblia é o próprio Jesus Cristo. Todos os demais eram frágeis e suas experiências revelaram como nós homens somos totalmente dependentes do Amor de Deus para viver. Só por Ele podemos contemplar a Paz. Pois, se depender de nossas forças, nossas limitações, sinceramente: onde vamos parar?
O sentido da Graça é explícito. Basta sentir a sua angústia diária, a sua dor e sua limitação. Só o Amor de Deus pode nos tirar deste destino de dor e nos dar esperança além de nossa própria incapacidade. A Graça, libertadora, nos evidencia que nossas vidas dependem deste escandaloso Amor expresso na cruz e não de nós mesmos, frágeis e efêmeros. Tira o jugo de nossas costas e nos aprimora a cada novo dia. Eis o único motivo que justifica nossa existência. Graças a Deus.
Titulo: Reflexões sobre a Graça
Autor: Paulo Henrique
Gênero: Ensaio
Data de publicação: 15 de julho de 2004
Resumo: Mais do que podemos imaginar.
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