Musas com os pés em Atenas

Entrevista por Eduardo Caruso
17 de fevereiro de 2004

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Na Olímpiada de 1996, em Atlanta, o esporte brasileiro quebrava mais um importante tabu. Sandra Pires e Jacqueline conquistaram a medalha de ouro no vôlei de praia e se tornaram as primeiras mulheres do País a subirem no lugar mais alto do pódio, na história dos Jogos. Nessa mesma competição, nas quadras, Ana Paula fazia parte da Seleção feminina de vôlei que voltou ao Brasil com o inédito bronze no peito, sob o comando do técnico Bernardo Resende, o Bernardinho. Cerca de sete anos depois, Sandra e Ana Paula uniram os currículos vitoriosos e estão juntas para buscar mais um triunfo, desta vez nas areias de Atenas, na Grécia.

Com um "casamento" que nasceu há pouco mais de seis meses, as duas atletas, da equipe Unimed/Rio de Janeiro, já colecionam importantes resultados e estão confiantes que podem voltar a brilhar em uma Olimpíada. "Estamos praticamente garantidas nos Jogos. Alguns até falam que matematicamente a vaga já é nossa" , disse Sandra. Elas disputaram 10, das 15 etapas do Circuito Mundial e conseguiram sair com o título da temporada, ao conquistarem quatro primeiros e quatro segundos lugares. "É uma união recente que está dando certo. Tem muita coisa para desenvolver, mas está ótimo. Só tenho a agradecer" , ressaltou a jogadora de 30 anos.

A outra dupla, que também está praticamente confirmada na Olimpíada, é Shelda e Adriana Behar. Elas estão no topo do ranking brasileiro, mas jogavam juntas desde o início do ano.

Em Sydney (2000), Sandra também entrou para a história do esporte brasileiro, mais uma vez, por ser a primeira mulher a levar a bandeira do País no desfile das delegações. Além disso, ela e Adriana Samuel trouxeram uma honrosa medalha de bronze. "Foi um bronze que valeu como um ouro para nós. Na época, não éramos as favoritas e conseguimos subir no pódio" , ressaltou Sandra, que também foi considerada pela Federação Internacional de Vôlei de Praia (FIVB) como a melhor jogadora do mundo na década de 90.

O que passou pela sua cabeça, quando ganhou a medalha de ouro em 96, ao lado da Jacqueline, e se tornaram as primeiras mulheres a subirem no pódio em uma Olimpíada?

Caramba! Foi incrível! Na minha primeira Olimpíada, eu era muito nova. Foi tudo muito rápido. Comecei a jogar em 93 e, em Atlanta, eu já era favorita. Eu acho que não estava sabendo de tudo que envolvia os Jogos. O Ibope foi muito grande e todas as pessoas estavam sabendo. Apenas, quando cheguei ao Brasil e tive aquela receptividade toda, fiquei sabendo o que tinha representado aquela medalha.

Depois de ganhar o ouro, como foi conquistar a medalha de bronze em Sydney?

Eu fiquei muito feliz. Foi um presente muito grande que eu guardo com muito carinho. Foi um bronze que valeu como um ouro para nós. Foi diferente. Não fui como favorita. O retrospecto meu e da Adriana Samuel (companheira de dupla) era ficar entre as cinco primeiras. Eu desfilei com a delegação e pretendo curtir este ano tudo que tiver de atividades na Olimpíada. Quando fui com a Jacqueline (em Atlanta), ela falou que o desfile era cansativo e acabei não participando.

E a nova parceria com a Ana Paula?

É um casamento muito recente que está dando certo. Ganhamos o Circuito Mundial, praticamente sem treinar. Começamos em junho, disputamos 10 etapas, nas quais vencemos quatro. A Ana é mais alta e ela joga na frente. Estou me adaptando a atuar na defesa. O que nós temos de bom é que forçamos bastante o saque. Ainda estamos nos acostumando. Tem muita coisa para desenvolver, mas está ótimo. Só tenho a agradecer.

Como você vê as chances da dupla Sandra e Ana Paula conquistarem o ouro em Atenas?

Eu e a Ana fomos campeãs mundiais este ano. Mas, nós sabíamos que poderiam ser as norte-americanas (Kerri Walsh e Misty May). A mais alta é muito rápida. Tem também a Shelda e Adriana Behar, que poderiam ter vencido. É muito complicado falar nisso. É muito uma questão de momento, por isso, vai depender do momento que nós estivermos passando.

E o vôlei de praia, está sofrendo muito com a falta de patrocínio?

Eu acho o vôlei de praia é um esporte muito novo e que deu resultado muito rápido. Os patrocinadores querem investir em quem é vencedor. O legal foi o Banco do Brasil ter acreditado e mantido este trabalho, há mais de dez anos (até hoje). Ele patrocina os atletas de ponta e também as revelações. A CBV (Confederação Brasileira de Vôlei) foi que ajudou tudo isso acontecer, com um bom calendário e premiações. O vôlei de praia se popularizou e conseguiu que outras empresas participassem. Além de ter uma boa divulgação na mídia.


Titulo: Musas com os pés em Atenas

Autor: Eduardo Caruso

Gênero: Entrevista

Data de publicação: 17 de fevereiro de 2004

Resumo:

Sandra Pires e Ana Paula, as musas do vôlei de praia brasileiro, com vaga praticamente garantida na Olimpíada de Atenas.

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2 Comentários

  1. Alexandre Piccolo disse:

    Maravilha, Du! APATADA se orgulha de seus colaboradores, cuja contribuição se supera a cada nova postagem, e se envaidece com a estréia do gênero “entrevista” em tão alto nível. Parabéns pelo trabalho! (e vê se não some… ;^)

  2. PH disse:

    Êh, Du Caruso. Sumido da aPatada. Mas quando aparece, vem com material de primeira. Excelente entrevista, merece destaque total! Parabéns!

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Quem é Eduardo Caruso?

Eduardo Caruso, 26, é jornalista e trabalha como repórter no Correio Popular, de Campinas. Escreve (nem todas) as sextas para aPatada.

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