Entrevista por Eduardo Caruso
8 de junho de 2004

Mesmo sabendo das pedreiras que terá pela frente, o técnico da seleção masculina de vôlei, Bernardo Resende, o Bernardinho, aponta o Brasil como um dos grandes candidatos a conquista da segunda medalha da sua história nos Jogos Olímpicos de Atenas. “Como um dos favoritos sim, mas não como o favorito. O Brasil chega em condições semelhantes aos principais times. Eu diria que há quatro equipes neste momento favoritas ao ouro. São os casos do Brasil, Rússia, Itália e Sérvia e Montenegro. Não que as quatro chegarão as semifinais. Pode ser que uma tire a outra durante a competição.” , disse. As disputas serão realizadas entre os dias 15 e 29 de agosto.
Mas, antes de pensar em medalha na Olimpíada, a seleção terá muito trabalho pela frente. Com problemas de contusão e tendo que escolher 12 jogadores para compor a delegação - dos 17 que estão hoje no grupo -, Bernardinho pretende aproveitar a Liga Mundial de Vôlei, que teve início na sexta-feira, para afinar o time e tomar as decisões.
Além dos 15 jogadores que viajaram para a estréia na Liga, na Grécia, o ponteiro Nalbert, que sofreu uma ruptura no tendão do ombro esquerdo, é a grande preocupação. “Temos 16 atletas e o Nalbert está em processo de recuperação” , ressaltou. Ele luta para se recuperar a tempo para a maior competição esportiva do planeta. Já o atacante Giba, está fora da estréia (na Liga), devido uma tendinite no joelho direito, mas não preocupa para os Jogos.
A aproximadamente dois meses de iniciar a luta pela conquista pelo ouro olímpico, Bernardinho afirmou que não abaixará a guarda na Liga, embora reconheça que sua cabeça está totalmente voltada para a Olimpíada. Aliás, ele aparenta estar preocupado com a maratona de partidas que a seleção terá na competição que antecede os Jogos. “Numa fase de preparação para a Olimpíada é preocupante (Liga) porque você viaja muito. Vamos à Europa jogar três vezes contra a Grécia, Espanha e Portugal. E isso quebra muito o ritmo de treinamento” , ressaltou.
Além de Giba e Nalbert, os jogadores que brigam por uma das 12 vagas na delegação para os Jogos são os ponteiros Giovane, Dante, Roberto Minuzzi e Murilo; os levantadores Ricardinho, Maurício e Marcelinho; os opostos Anderson e André Nascimento; os meios-de-rede Gustavo, Henrique, André Heller e Rodrigão e o líbero Escadinha. O meio-de-rede Renato Felizardo e o oposto Joel foram dispensados.
Os países classificados para a Olimpíada de Atenas são Brasil, Itália, Sérvia e Montenegro, Rússia, Estados Unidos, Argentina, Tunísia, Polônia, Holanda, França e Austrália.
Confira os principais trechos da entrevista com o técnico Bernardinho:
Eduardo Caruso: Na sua cabeça, o grupo está fechado para a Olimpíada?
Bernardinho: Ainda não. Temos 16 atletas e o Nalbert está em processo de recuperação. Pretendemos definir o grupo para a Olimpíada só depois da Liga Mundial. Vamos ter que ao longo do reduzir um pouco, mas longe de estar fechado ainda. Tenho dúvidas em algumas posições. Para os Jogos temos que levar 12 jogadores. Até lá, vamos revezar alguns atletas na Liga Mundial e esperamos tomar as decisões acertadas ao longo do tempo. Temos ainda um pouco mais de dois meses para trabalhar as soluções e tomar as decisões mais próximas da Olimpíada.
No ano passado, o Brasil conquistou o título mundial. Na ocasião, você se preocupou muito com o tempo de preparação. Este também seria um problema para a Olimpíada?
O tempo não é o ideal, não adianta. É claro que o ano passado (Mundial) ainda foi pior. Mas, não adianta ficar chorando e pensando no que poderia ter sido. Não pode por uma série de razões. E, já há equipes jogando neste momento, num estágio mais avançado. Outros, como nós mais atrasados, mas enfim, temos um tempo relativo.
Como você avalia as disputas da Liga Mundial neste momento importante que é a reta final para a Olimpíada?
O que mais preocupa neste momento é a Liga Mundial. Numa fase de preparação para a Olimpíada é preocupante porque você viaja muito. Vamos à Europa jogar três vezes contra a Grécia, Espanha e Portugal. E isso quebra muito o ritmo de treinamento. Como temos um objetivo a menos de um mês após o término desta competição, é uma preocupação que eu tenho. Então, temos que priorizar a preparação, mesmo que percamos algum jogo que não deveríamos perder na Liga Mundial, mas a prioridade da Olimpíada é absoluta e também a tentativa de recuperação do Nalbert.
O Nalbert é considerado um líder da Seleção Brasileira. A presença dele seria fundamental para o time em Atenas?
Para nós, a presença dele é muito importante. Ele vem trabalhando diariamente de forma intensa para poder se recuperar a tempo. Vamos correr atrás de intuito e colocá-lo em condições de jogar já no início da Olimpíada. Porque é fundamental a presença dele, na minha opinião, não só pela experiência e capacidade técnica, como também pelo aspecto de liderança.
Dentro do planejamento que fez na preparação do time, você acha que hoje está tudo correndo bem rumo ao objetivo de ter um grupo redondo para os Jogos?
O grupo está treinando bem. Alguns jogadores tiveram machucados e se recuperando, outros começaram a entrar em uma boa forma física. A dedicação tem sido a tônica do trabalho. Isso é importante. E o time vem crescendo. Tem tempo ainda e muita coisa a ser feita. Na verdade, há muitos desafios a serem vencidos ainda. O início foi promissor. Acho que a equipe vai chegar bem. Temos adversários que possuem o nível do Brasil e até um pouco superior, mas acho que o Brasil terá condições de brigar por uma medalha olímpica.
Então você acredita que o Brasil realmente chegará como um dos favoritos?
Como um dos favoritos sim, mas não como o favorito. O Brasil chega em condições semelhantes a um dos principais times. Eu diria que há quatro equipes neste momento favoritos ao ouro. São os casos do Brasil, Rússia, Itália e Sérvia e Montenegro. Elas brigam meio que em igualdade de condições. Um pouquinho mais para um, ou para outro. Não que as quatro chegarão as semifinais. Pode ser que uma tire a outra durante a competição. Tem a Argentina, a Polônia, a França, afinal, uma série de seleções fortíssimas, mas acredito que uma destas quatro equipes ficará com o ouro.
Qual é a diferença de você entrar em quadra num Campeonato Mundial e numa Olimpíada?
Há três competições de âmbito mundial que acontecem de quatro em quatro anos. São as Olimpíadas, o Campeonato Mundial e a Copa do Mundo. O Brasil foi campeão em 1992 (Olimpíada). Ganhamos o Mundial em 2002 e nunca tínhamos ganhado uma Copa do Mundo e ganhamos em 2003. Quanto a técnica, seriam todos de dificuldade semelhante. Diria, talvez os mais difíceis, são a Copa do Mundo e o Mundial, por terem mais adversários. Mas, a Olimpíada envolve um sentimento de nação, uma preocupação e uma cobrança maior. A uma série de comprometimentos e envolvimentos. A questão emocional é muito mais atuante. Por isso, se torna um campeonato de maior expressão que os outros dois.
Vamos falar um pouco sobre o seu envolvimento no vôlei de Campinas. Na verdade, você utilizou a sua imagem para ajudar a Fonte São Paulo a conseguir o patrocínio da Telemática, que viabilizou a volta, depois de 19 anos, do clube na categoria adulta, além da manutenção das categorias de base. Como você se sente em estar ajudando na fomentação e a renovação do esporte?
Eu trabalho hoje como embaixador do vôlei. Tento ajudar. Estou em Piracicaba para ajudar a alavancar um projeto também. Tenho me envolvido com uma série de iniciativas em Bento Gonçalves (RS). E a Fonte eu tenho uma ligação mais estreita, pelo Bruno (Bruno Mossa, filho do Bernanardinho, que joga na Fonte) e toda a família da Vera Mossa (mãe de Bruno). Além do vôlei ser uma tradição muito grande dentro da Fonte. Formou jogadores como o Maurício e companhia. Merecia um projeto como este e eu tenho que agradecer especialmente a Telemática porque é uma empresa que acredita em um projeto de desenvolvimento. Não é o caso de estar pegando jogadores de seleção, mas sim, jovens que podem despontar. Agora vamos lutar para mantê-lo. É muito difícil conseguir um patrocinador.
Titulo: Otimismo Bernardiniano
Autor: Eduardo Caruso
Gênero: Entrevista
Data de publicação: 8 de junho de 2004
Resumo: Mesmo cauteloso, Bernardinho diz A Patada que a seleção masculina de vôlei brasileira é uma das favoritas na luta pelo ouro olímpico em Atenas.
que beleza, Du! Parabéns por publicar esta entrevista com o Bernardinho, comendante desta campeoníssima seleção brasileira de vôlei. Vamos torcer para mais um ouro!
Maravilha de entrevista, Du. E vamos com muita fé junto com esse time do Bernardinho para as Olimpíadas…
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Show hein?!?! blz de entrevista inda mais depois ds olimpiadas…