Matéria por Paulo Henrique
4 de maio de 2004

Advertência: escrevi este texto em 2001, para o "Três Acordes", site de rock no qual eu era repórter na época. Coloco aqui para rememorá-lo, exatos 3 anos depois. E para marcar o momento mais especial da minha vida: naquele show, comecei a namorar a Márcia, meu amor.
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Jaguariúna Rodeio Festival. Sábado, dia 5 de maio de 2001. Lua cheia brilhando no céu limpo daquela noite. Para completar, show do "Creedence Clearwater Revisited".
Tudo bem, é meio estranho um show desta lendária banda em uma festa de rodeio, mas o espetáculo justifica o local. Mesmo porque o grande público - cerca de 50 mil pessoas - estava bem heterogêneo. Ao invés de botas e chapéus de couro no estilo country, o que se via bastante eram botas e jaquetas - também de couro - mas no estilo Harley Davidson. Motoqueiros de vários lugares se reuniram no rodeio para assistirem ao show do Creedence. Havia também fãs de rock com camisetas do The Doors, do Kiss, com bandanas e bandeiras dos EUA e Inglaterra, terras do rock´n roll. Grupos variados na festa por um único motivo: show do Creedence.
O "Creedence Clearwater Revisited" não é aquela formação do "Creedence Clearwater Revival", a banda que ocupou o panteão do rock com um estilo único no cenário das grandes bandas, com o seu rock´n roll meio rockabilly, meio country, meio western.
A banda original fez sucesso nos anos 70 com John Forgety no vocal, Tom Forgety na guitarra, Stud Cook no baixo e Doug "Cosmo" Clifford na bateria. Este grupo se dissolveu no ainda nos anos 70 devido as brigas entre os membros, sobretudo entre os irmãos John e Tom Forgety. John Forgety, tamanho foi seu desentendimento com o Creedence, nem tocou na apresentação do grupo em Cleveland, quando eles foram homenageados no Rock and Roll Hall of Fame. Para piorar, em 1989, Tom Forgety morre, deixando a formação original de uma vez por todas, incompleta.
Mas em 1995, Stud Cook e Doug Cosmo lançaram o projeto para tocar ao vivo os hits do Creedence Clearwater Revival. No começo, os shows seriam para eventos fechados. " Nós nunca pensamos realmente em tocar em público", diz Stud Cook, "mas um amigo promoveu alguns concertos e agora nós não sabemos como isto vai parar". E é verdade, de um projeto modesto batizado de Creedence Clearwater Revisited, onde o baixista e o baterista chamaram mais três integrantes - John Tristão, Elliot Easton e Steve Gunner - para tocarem seus sucessos, eles agora se deparam com uma maratona de 100 shows por ano, no mundo todo, tocando Creedence para os saudosos e para uma nova geração que também aprecia a banda.
E eles estavam lá em Jaguariúna. Aquele show de hits, dos maiores sucessos, perfeito para quem gosta do grupo. O show, não dá para negar, é muito bom. Eles tocam todas os clássicos como "Born On the Bayou", "Susie Q", "Green River", "Commotion", "Down on the Corner" , "Hey Tonight", "Have you Ever Seen the Rain". De fato, o repertório foi previsível. Mas o a banda justificam esta "revisão" do Creedence não apenas pelo passado, mas sim pelo modo como eles tocam os sucessos.
Eles tocam muito. O vigor, a animação e a vontade daqueles senhores barbudos que parecem caminhoneiros de filme americano, supera qualquer má vontade de análise. Eles divertem e se divertem. O novo vocalista, John Tristao, não quer dar uma nova roupagem para as músicas e canta igualzinho ao John Forgety - mas como canta! Dança, pula e conversa com o público.
Stud Cook, o mestre de cerimônias, apresenta a banda, enquanto Cosmo sai da bateria, vai a frente e, em poucas palavras, define o clima do show. "É bom estar aqui no Brasil, tocando para vocês, sob a luz da lua".
Assim foi o espetáculo. A lua, redonda, amarela, brilhante, lá em cima, enquanto os membros da banda - que pareciam sentir na pele toda esta luminosidade - dá ao público suas músicas. E o mesmo responde a altura, com aplauso, gritos e pulos - muitos pulos - de regozijo, afinal de contas, estavam no show do Creedence Clearwater.
Por fim, quando o show termina de vez, após uma hora e meia de puro rock, o público se mostra tocado pela banda. Nem parecia que estavam em um rodeio - respirava-se rock no ar. Podia-se ver nos rostos a satisfação de ter assistido uma apresentação-documentário desta banda. Comentários exclamativos e suspiros, por todo o parque de exposição. Perdeu muito quem não foi.
Está certo, não vamos esconder os problemas… a arena e arquibancadas superlotadas e a falta de organização que causou certo tumulto, não podem ser esquecidas. A sorte da organização foi contar com um público diferenciado, com a consciência que era necessária a colaboração de todos, para o show seguir bem.
Mas no final das contas, o show - da banda, do público e da lua - ofuscou estas deficiências estruturais e o saldo foi um memorável espetáculo com o que há de Creedence Clearwater hoje em dia. E com a Lua lá em cima, sempre brilhante, contemplando e sendo contemplada, ao som desconcertante do grupo e até o final daquela noite, para a paz de espírito daqueles que viveram estes momentos.
Titulo: Lua boa
Autor: Paulo Henrique
Gênero: Matéria
Data de publicação: 4 de maio de 2004
Resumo: Creedence: o show mais importante da minha vida.
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