Frida Khalo, pra lá de modernista…

Opinião por Márcio Sampa
18 de abril de 2003

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Auto-retrato de Frida
Khalo

Fazia tempo que não dava uns cobres para Holywood. Nos últimos meses só tive tempo para filmes brasileiros e um Almodóvar. Na última semana, pra tirar o atraso, fui ver duas produções made in USA. "Frida" e "As Horas".

Segundo a classificação de alguns experts, a produção que narra a vida da pintora mexicana seria inferior àquela que narra trechos da biografia da britânica Virgínia Wolf. Não concordo.

Me apaixonei por Frida (interpretado pela bela Salma Hayek). É verdade que sempre fui fã de seus quadros quase surrealistas e de sua postura pra lá de modernista. Mas Frida, o filme, tem algo de caliente. Algo não, tudo. Foi criticado por ser interpretado em inglês. Mas o emprego da língua anglo-saxônica não mata o seu sotaque latino. O calor e o colorido das paisagens mexicanas. A paixão de suas personagens por um ideal comum: a Revolução. E a intensidade com que viveram seus amores, suas carreiras, suas enfermidades e até a morte. Além de interessantes colagens entre as pinturas de Khalo e algumas tomadas do filme.

As Horas, apesar de muito bem feito, interpretado por atores e atrizes de primeira linha, com merecida menção honrosa para a até então insossa Nicole Kidman, está impregnado da fleuma anglo-saxônica. Suas personagens são egoístas e esquizofrênicas (com excessão de Gessie, vivida por Maryl Streep). E essa enfermidade psicológica toda chega a incomodar.

É claro, que como qualquer ser humano, a idéia é ser feliz. Mas o egoísmo das personagens aparece exatamente aí. Não se respeitam. Alguns acham que o cemitério é a saída para todos os males, enquanto outros se dizem felizes por aprisionar seus amores em gaiolas de ouro. A paixão, o colorido, que sobram em Frida, faltam em As Horas.

É interessante observar nos dois filmes como até o sofrimento pode ser vivido, narrado e enfrentado de maneiras diferentes. Com a dignidade (ainda que por vezes arranhada) de uma Frida Khalo ou com o sentimento de auto-comiseração apresentado pelas tristes figuras de As Horas.


Titulo: Frida Khalo, pra lá de modernista…

Autor: Márcio Sampa

Gênero: Opinião

Data de publicação: 18 de abril de 2003

Resumo:

Uma análise comparativa entre os filmes “Frida” e “As Horas”.

2 Comentários

  1. Luisa Soler disse:

    Psiu ! Olá ! Hmm..interessante o seu artigo sobre os filmes//ainda não assisti Frida..por isso..não posso dizer muita coisa// no entanto…eu “amei” as horas e acho díficil amar Frida do mesmo modo.tipo…existe todo esse fleuma no filme sobre a Virginia..mas é baseado no livro..é a história e os personagens do livro são assim mesmo.; ué.. sei lá..todo esse sentimento de comiseração….e esse egoísmo…e essa sensibilidade e “enfermidade psicológica”…nada disso me incomodou; mas é isso.. risos.. /// adorei o livro tbm.beijoosLuisa

  2. Alexandre Piccolo disse:

    Análise comparativa” legal - depois d’As Horas, fiquei com mais vontade de ver Frida…

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Quem é Márcio Sampa?

Jornalista, por vocação. Idealista, por opção

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