Ah, se eu pudesse…

Poema por Marco Giannelli
14 de março de 2003

Ah, se eu pudesse verter a ilusão da conquista

e olhar pros olhos de quem arrisca

e ver enaltecidas as rugas dessa pessoa…

Ah, se eu pudesse, e não posso sentir a dor da vida

que eu sei que o mar, que eu sei que a lua

não são os sentidos, mas elementos

que a vida fatiga.

Ah, se eu pudesse e é inútil querer

que a razão me buscasse no fundo do poço,

catatônico e lépido,

esguio e formoso

e dispor-me um cetro de um vegetal belicoso.

Não, eu não posso, eu não posso "se pudesse"

e quero dizer-te em prosa e em verso

que o homem nem sempre carece,

nem sempre computa e talvez nem sempre quisesse.

Ou então desvairado e sóbrio,

ou frívolo e lânguido,

desumano e fascínora,

dogmático e peçonhento,

asmático e cancerígeno,

fosse o presente e vivesse o futuro

na forma de outra pessoa.

Ah, se eu pudesse, entregava e não bulia

confeccionava o prognóstico,

liberava a idolatria.

Talvez vivesse noutra folia

mas querem que eu viva nessa magia,

que eu teimo e refuto

mas sei que não há serventia,

que eu cuspo no prato

que outro não cuspiria,

que é irrefragável e sem valia

e, enfim, eu corro e me escondo numa quermesse

no fundo de um mosteiro

e bucólico pergunto ao próximo:

"e você, não poderia?"


Titulo: Ah, se eu pudesse…

Autor: Marco Giannelli

Gênero: Poema

Data de publicação: 14 de março de 2003

Resumo:

poema escrito durante uma aula de português no colegial

,

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Quem é Marco Giannelli?

Brasileiro de cosmorama, celibatário mas com os pulmões cheios de desejo, latitudinário e sem qualquer razão para ser franco. Mente mas procura ser verdadeiro.

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