Asco

Poema por Tânia Toffoli
24 de julho de 2003

Agora você lambe a faca ensangüentada

Que torcia em meu peito

E me arrancava gritos

que já não eram de dor.

Agora, com a faca nas mãos,

Você pode ver o sangue escorrer

Do vazio que ela deixou

E com essa hemorragia eterna

Se deliciar…

Enquanto o sangue quente

Simplesmente escorre

Saindo de todos os orifícios

Do corpo, tentando escapar…

Encharca os trapos

Que ainda restam sobre a pele

Seca, rachada pelas agulhadas

Do vento gélido que sopra

Em tudo a minha volta.

Quando já não puder mais

Olhar e empunhar o machado,

Esmigalhe meu crânio;

Escolha bem as partes que você quer…

Descobrirá que o que tanto

Você tentou encontrar nos meus olhos

e no meu coração,

Mas que só poderia achar em meu cérebro,

São apenas miolos podres.

E agora, o que vai fazer?

Agora, que rastejam vermes

Nos mesmos lábios que você beijou…

E você não suporta mais!

Essa forma decadente

Que era o alvo de todos os seus

Mais profundos desejos!

E não suporta mais

Saber que mesmo lhe causando

Asco,

Você ainda deseja…

Talvez mais do que nunca.


Titulo: Asco

Autor: Tânia Toffoli

Gênero: Poema

Data de publicação: 24 de julho de 2003

Resumo:

Algumas coisas que causam asco são ainda mais desejáveis!

2 Comentários

  1. Alexandre Piccolo disse:

    Como um dos versos, “esmigalhou meu crânio”.

  2. Mário disse:

    Uma interjeição: uau!

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Quem é Tânia Toffoli?

Estudante de letras, 19 anos, amante da literatura.

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