Insistência

Poema por Bruno Santos
8 de fevereiro de 2004

Nadando contra a correnteza

Procuro a tona para respirar

Procuro um galho para me segurar

E procuro água para tomar

Procuro respostas e, ainda mais,

Procuro perguntas

Sem saber se quem pergunta

Sou eu ou seu sou

Sem saber aonde vou

Ou mesmo porque estou

Com a única certeza ? não absoluta

De que é preciso ir

Precisamos logo partir

Vamos depressa sair daqui!

De cantar vive o pássaro

De voar vive o pássaro

De estilingue morre o pássaro

De alegria vive a criança

De esperança vive a criança

De espancamento morre a criança

De sonhar vive o homem

De amar vive o homem

E de ser humano morre o homem

E assim mesmo estou indo

Ninguém me convence de que devo parar

Pensar, passar, pousar, ousar

Assim vou, espírito pelado

Pernas entrelaçadas, braços atados

Língua inquieta, olhos vidrados

E vou

………………………………………………………….

Ah, Deus, dá-me motivos para viver

Estou à deriva nesse universo infinito

Procurando sentido num mundo tão belo

Sinto-me um incapaz impotente insuficiente

Busco harmonia nas canções

E não as encontro

Assim como me perco

Tentando enxergar o brilho das estrelas

Por acaso só vistas nos escuro

Tão profunda é a minha perdição

Que mesmo no mais completo breu

Não consigo vê-las

Muito menos tocá-las

Menos ainda senti-las

E ainda desejo tê-las para mim

Oh, Deus, fala comigo, não consigo ouvir-te

Preciso de luz, de calor

Não quero perder a esperança

Quero ganhar confiança

Quero ser forte

E minhas forças se esgotam

Dá-me ar, que meu fôlego se finda

A sombra se engrandece mais e mais

Tento fugir, minhas pernas se confundem

Só tropeços e quedas

Dá-me a mão para me reerguer

Faz de mim um bravo lutador

Fere-me

Desgasta-me

Maltrata-me

Mas deixa-me sobreviver

Para eu me fortalecer e prevalecer

Chegar em algum dia do futuro

E me considerar vencedor

Sem perder a glória

Sem derrotar outrem

Somente vencer junto a todos

É meu último desejo

Viver


Titulo: Insistência

Autor: Bruno Santos

Gênero: Poema

Data de publicação: 8 de fevereiro de 2004

Resumo:

Lápis e papel são a salvação de um poeta perdido.

1 Comentário

  1. Mila. disse:

    Na época longínqua, em sua preexistência, o homem fez um juramento de obediência e fidelidade ao seu criador, e andava envolto em luz nas pegadas dos deuses. Se hoje alguns obedecem a esse mundo terrestre que os submete à ação material, ainda ficam aqueles que não esqueceram da sua promessa de outrora, a qual lhes será lembrada, quando a hora chegar.”

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Quem é Bruno Santos?

Um escritor enrustido, amante das letras, que por ironia do destino entrou para o mundo dos cálculos e que agora quer se encontrar novamente.

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