Poema por Marco Giannelli
26 de maio de 2003
Escandalosamente procuro.
Papéis, persianas e souvenires que
transformam
meu álibi numa confissão dolorosa.
Após tanto tempo absorvendo Woody
Allen,
acabei me sintetizando com ele.
Sobrevôo Manhattan e não encontro
jamais palavra
que fale o que preciso dizer.
Talvez não seja necessário.
Evito.
Chorei tanto tempo descobrindo
que amar é condoer, esparzir essa
mácula
chamada dor.
Não quero amar é o que tenho a
dizer.
Escondo.
Solfejei os últimos acordes de uma
canção estúpida
e esquecida,
numa reverência que pareceu
resquício de
liturgia
e deixei escapulir a palavra solidão.
Quero me condenar à dizê-la uma vez
ao dia:
oração de quem teme perder-se.
É verdade que enquanto me
atormentam os receios e
os temores, não consigo permitir que
o que amo
se avulte em mim.
Eu te amo é o que te quero dizer pra
sempre.
Quando amo e digo que te amo,
tenho uma enorme tendência a
desdizer em seguida
e a reconsiderar que meu amor é
tão grande
quanto imaginavam nossos sonhos.
Mas de uma forma muito esquisita
eu realmente te amo:
é quando me abandono e divago sobre
questões metafísicas insolúveis.
Basta um aroma de Chet Baker,
uma meia-luz na madrugada e aquela
suave sensação
de saudade.
Titulo: Manhattan
Autor: Marco Giannelli
Gênero: Poema
Data de publicação: 26 de maio de 2003
Resumo: cornucópia de emoções que Woody Allen proporciona aos diletantes de seus filmes
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