Metade

Poema por Marco Feitosa
30 de novembro de 2003

Nestes últimos dias tenho estado um tanto quanto baixo astral. Daí me lembrei de um dos mais belos poemas que já li sobre o "eu" que ama. Trata-se de um texto do Oswaldo Montenegro que se chama Metade.

Amor e contradições, perdas, fugas, eus?

Boa leitura!

Marco A. Ribeiro Feitosa

Metade

Que a força do medo que tenho,

Não me impeça de ver o que anseio.

Que a morte de tudo que acredito,

Não me tape os ouvidos e a boca.

Porque metade de mim é o que eu grito,

Mas a outra metade é silêncio.

Que a música que eu ouço ao longe seja linda,

Ainda que triste.

Que a mulher que eu amo seja sempre amada,

Mesmo que distante.

Porque metade de mim é partida,

E a outra metade é saudade.

Que as palavras que eu falo não sejam ouvidas

Como uma prece, nem repetidas com fervor.

Apenas sejam respeitadas

Como a única coisa que resta a um homem

Inundado de sentimento.

Porque metade de mim é o que eu ouço,

Mas a outra metade é o que eu calo.

Que essa minha vontade de ir embora

Se transforme na calma e na paz que eu mereço.

Que essa tensão que me corrói por dentro,

Seja uma dia recompensada.

Porque metade de mim é o que eu penso

E a outra metade é um vulcão.

Que o medo da solidão se afaste,

Que o convívio comigo mesmo

Se torne ao menos suportável.

Que o espelho reflita em meu rosto o doce sorriso

Que eu me lembro de ter dado na infância.

Porque metade de mim é a lembrança do que eu fui,

E a outra metade eu não sei…

Que não seja preciso mais

Do que uma simples alegria

Para me fazer aquietar o espírito.

E que o teu silêncio me fale cada vez mais.

Porque metade de mim é abrigo,

Mas a outra metade é cansaço.

Que a arte nos aponte uma resposta,

Mesmo que ela não saiba,

E que ninguém a tente complicar,

Porque é preciso simplicidade

Para fazê-la florescer.

Porque metade de mim é a platéia

E a outra metade, a canção.

E que minha loucura seja perdoada.

Porque metade de mim é amor

E a outra metade…também!

Oswaldo Montenegro


Titulo: Metade

Autor: Marco Feitosa

Gênero: Poema

Data de publicação: 30 de novembro de 2003

Resumo:

Não sei bem, é algo pessoal, mas me sinto assim nestes dias… Devaneios, delírios…

2 Comentários

  1. Lilian disse:

    Você tem razão, o poema é belíssimo!Fala a verdade, a vida sem poesia seria sufocante!

  2. Kellen disse:

    Menos é mais. Esse poema é tudo!Valeu, Marquinho.

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Quem é Marco Feitosa?

Poeta, boêmio, músico e, às vezes, jurista.

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