Não é sempre que se nasce

Poema por Marco Giannelli
12 de fevereiro de 2003

Não é sempre que se nasce

É todo dia apenas

E o nascituro está ao reparo daquele que

Morre,

Que morrer ou viver

São liames da mesma vergasta.

Minhas mãos estão tintas

De sangue e sêmen

E a sujidade é benfazeja já que

O perdão medra

Se somos a charneca da fome.

Temos a vida que é ladina,

Nem as Parcas ou Moiras,

Indifere o nome que se dá à vida ou à morte,

Que a sintaxe é cicuta na boca

Dos que vivem,

E se amam é pior que uma tunga!

Ouço aplausos e rio ao olhar-me

A ti mesmo.

Palidejas e choras enquanto apenas

Dormito no chão desnudo.

O homem que nasce tem ao menos

Um conforto:

Se de confortos cardamos a esperança,

(Pútrida ilusão sonora)

E o conforto é que não nascemos

De todo, estamos sempre a nascer

Mais um pouquinho,

Assim como no gerúndio tem o

Verbo sua alma.

A vida me faz preito quando

Morro e cansado, descanso

E eu estou por aqui de vida!

Tenho os cabelos atreitos

E o coração em flash,

A omoplata vacila, e o

Úmero se aproveita.

A pele corrugada é minha tez

Nos documentos públicos,

Já não aceitam mais a

3x4

que o corpo fenece feito

palha

e o homem não é um cordão de palhiça

nem tampouco vasilha e tigela.

Quero correr o risco de morrer

Mais velho e com

Isso me proscrevo:

Não há paga para quem

Se entrega.

À vida e à morte. A dor

É metade de qualquer

Delas e se estou carecente de alívio

É que a missão do homem

É mazela e cicuta,

Vinagre e obra.

Minhas exéquias serão as

Sementes, e o excremento

A farinha para o pão moribundo.

Só não quero é morrer e

Tocar os dedos de Deus ou Emanuel

Ou Jezabel ou Aarão,

Minha vida é robusta e perversa

E a cada fé que prescrevo

Me torno um truão.

Terá a mó a mesma certeza do pão?


Titulo: Não é sempre que se nasce

Autor: Marco Giannelli

Gênero: Poema

Data de publicação: 12 de fevereiro de 2003

Resumo:

Poema-elegia sobre a dor e o prazer de ter nascido e estar nascendo

,

1 Comentário

Deixe seu Comentário

Spam Protection by WP-SpamFree

Quem é Marco Giannelli?

Brasileiro de cosmorama, celibatário mas com os pulmões cheios de desejo, latitudinário e sem qualquer razão para ser franco. Mente mas procura ser verdadeiro.

Bad Behavior has blocked 5 access attempts in the last 7 days.