Poema por Samira Marzochi
5 de janeiro de 2005

Harwa, de onde vem teu nome?
É teu próprio ou foi apenas
o que te deram
em troca da face?
Por que o acaso escolheu a ti, Harwa,
entre tantas?
Viajo teus três mil anos.
Piso com sandálias
as mesmas trilhas e pedras.
No rosto o vento,
à margem um rio.
Cada traço teu é doce.
Talvez tenhas sido um assassino,
estuprador de escravas.
Talvez apenas um escravo
anônimo.
Tenho quase certeza
de que foste um tirano
e ainda assim toco o teclado
como se fizesse a ti algum tipo de amor.
Tu sempre inerte, iluminado,
não és apenas o pano de fundo
do meu desktop
ou a tomografia computadorizada
que cientistas chamaram Harwa.
És a múmia de três mil anos,
entre tantas,
e não tens culpa se me encantaste.
Me levaste no papo da história,
sem sequer abrir os olhos,
só porque tens todo esse tempo
e as feições firmes.
Tento abrir teus olhos à força, Harwa,
pelo Paint.
Terás o futuro refeito
comigo ao lado
num arquivo do drive (C:).
Tua foto e a minha tomografia
que encomendei para descobrir também
o que sou.
Sabes aquela passagem
sobre a pirâmide?
Criei um software para reconstruí-la
e passaremos os dois.
Vou alterar teu caminho, Harwa,
perdoa.
Naquele site da Folha
vi que teu destino agora
sou eu.
Titulo: ODE A HARWA
Autor: Samira Marzochi
Gênero: Poema
Data de publicação: 5 de janeiro de 2005
Resumo: De uma notícia, pela manhã
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Fábio Dallas, o poeta. Obrigada por tamanho elogio! Genial sua descoberta: HARWA = AWRAH ! Uma agudeza de dar inveja…