Poema por Tânia Toffoli
9 de fevereiro de 2004
Línguas negras e bipartidas
Se entrelaçavam fervorosamente
E na mistura de seus hálitos
O cheiro e o gosto ferroso do sangue
Lhes era maravilhoso.
Cada qual sugava o veneno
Do outro como se fosse vida;
E cada vez mais se envenenavam
Voluntariamente em sua própria volúpia.
Insistentes, degustavam um ao outro
Morrendo lentamente a cada toque;
A dor lancinante da sua lascívia
Não os intimidava e
Mesmo sua lassidão
Não os fazia parar:
O sofrimento os mordia e rasgava,
O prazer os lambia e sugava.
O veneno escorria a cada gota de suor
Que se amargava no deleite doce
De sua lastimável escravidão.
O bote havia sido dado,
Agora rastejariam como serpentes.
Titulo: SERPENTES
Autor: Tânia Toffoli
Gênero: Poema
Data de publicação: 9 de fevereiro de 2004
Resumo: Um pouco de simbolismo é sempre bom!
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Muito bom! Lindo! Escelente poema, possui requintes de Baudelaire.