Últimos Poemas

Poema por Juli Manzi
12 de março de 2005

Retorno à poesia

Entre o tempo da mente

e a força do punho,

quantos poemas perdidos

versos vertidos pro santo

rimas que de repente

descubro e desproponho

sonhos, às vezes cindidos

idéias deixadas de canto

Por ora cansei,

serei meu fiel escriba

Prometo sério retorno

de labor, de suor sem sono

de horas dedicadas à lida

dos signos, epígonos da lei

Mas súbito algo me afronta

estarei me dedicando à poesia

como um matemático às contas

sem sentir o que imagina?

Pois ensinou

o mestre de Curitiba

que a mais nobre das artes residiria

exatamente ? sem nada reticente

na ausência de disciplina



Nada

Só ficou

o vazio

um fio

que pende

ao clamor

inócuo

Quanto à gosto

Gosto de poesia bonita.

Da Samira, do Leão, do Poecida,

de quem quer que traga simetria.

Música: tempo e melodia.

De força, maremoto, furacão.

Escrita no papel, no monitor,

na letra da canção.

Do cantor, do maldito, do rei,

de quem se acha doutor

e de quem diz:

- “não sei, não sei”.

Totem do dia

Hoje eu quero

todas as valsas

todos os sinos

todos os hinos

todas as cores

todos os amores

todas as faltas

todas as farsas

Hoje eu quero

o tudo

e as fadas

toda a ausência

toda a clemência

todas as dores

todos os estranhos

e os estranhamentos

todos os nãos

todos os ãos

e todas as ões

Todas as rimas

e toda a raiva

num coração vazio

livre para amar

As Meninas


para A. Piccollo

Olhe aquelas meninas

Não são meninas

São gazelas

São orquídeas tão belas

E a cor da tarde com elas

Dança em suas vaginas

Descem dos montes aos vales

Tiram dos campos os males

Aos montes descem

E valem

Tesouros que em cofres não cabem

Riquezas as quais tu bem sabes

Se um dia o mundo mudar

E esta visagem cessar

Peça ao Senhor que dê cabo

À minha vida, interrompa o fado

A lua ponha de lado

E deixe o sol se apagar

Vendo estrelas

Perdi o norte

Tô vendo vários cruzeiros do sul


Titulo: Últimos Poemas

Autor: Juli Manzi

Gênero: Poema

Data de publicação: 12 de março de 2005

Resumo:

Não os derradeiros, os mais recentes

4 Comentários

  1. Pedro Marques disse:

    O primeiro e último poema valem uma volta na internet tão repleta de imaginação igual!

  2. Magda disse:

    Juliano!
    Adorei, é a Magda “xô catiço” de Porto Alegre… me escreve!

  3. fábio d. disse:

    Mansür, Tu continuas belo! Valeu a surpresa (quanto à gosto)!!!! E que o mestre lá do céu de curitiba continue à te mandar loas e boas vertentes vernáculas.

  4. Adolfo disse:

    Impressionante qualidade poética!

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Quem é Juli Manzi?

Compositor, professor e jornalista. Mestre em semiótica e poesia experimental pela Unicamp.

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