Poema por Samira Marzochi
6 de dezembro de 2003
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RER B
Entrei na pele de um cego
fazendo toc-toc.
Vous êtes qui?, perguntou.
Je suis votre face
de lune.
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ESPÍRITO
A fala, soprando em picotes
e o coração, cortadinho.
(Quem dera fossem beijinhos).
A fala, soprando em beijinhos
e o coração, aos pinotes.
(Quem dera fossem beijões).
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RIMA
A rima é a casca da poesia,
mas é também a parte de dentro
que na forma rimada, enrijece,
como gesso derramado em pensamento.
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PENSA-FLOR
Pensando, beija-se,
Beijaflormente,
corações humanos:
Extrai-se o doce
e o resto cai
sobre as cabeças.
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PAPERS
Papéis, papiros, papados.
Na boca do gado, moídos.
Da boca do gado, cagados.
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VERBORRAGIA
A boca aberta em sangue,
sem a língua.
- Diz, Diz!
palAvra. palAvra. palAvra.
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RIMA II
Não sei mais versos doídos.
Agora rimo
com muro de arrimo.
Titulo: UM NOME PRENDE, VÁRIOS LIBERTAM
Autor: Samira Marzochi
Gênero: Poema
Data de publicação: 6 de dezembro de 2003
Resumo: E assim caminha a humanidade
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Uma voz em off: “sou o doutor da verdade, prestem atenção que vou transmitir ordenanças”. A voz pública, mas nunca-ouvida: “bobagem, temos o que comer, para que se preocupar com coisa de intelectual?”. A voz em off se irrita: “ora, seus vermes, entendo o mundo melhor que voces todos, portanto vou-lhes ensinar o be-a-bá de tudo”. A voz cansada: “ninguém entenderá ninguém; muros de arrimo são construídos entre nós todos. Calem a boca, me deixem dormir que desejo acordar e tomar uma boa xícara de café. O sol da manhã me faz bem.” As vozes se calaram. Como sempre se calam, séculos após séculos. Amores, paixões, revoluções, infernos e céus, tolices… tudo sempre será assim. Para o nada, para o nada.