Poema por Samira Marzochi
16 de novembro de 2003
`````````````````````````````````````````
NOTÍCIAS
Chove no Rio, por dentro e por fora,
por dentro e por fora, é frio.
Chove nas ruas, nas pedras da casa,
na casca da árvore, no vaso de flor.
Chovem na mata as águas da mata
e o cheiro das folhas caindo no rio.
Chove nos ombros da moça que passa
e dentro da moça que passa com frio.
Chove no Rio, por dentro e por fora,
por dentro e por fora, é rio.
`````````````````````````````````````````
OLHO D'ÁGUA
Vou mergulhar neste olho d?água
à beira da mata ciliar.
Não cerres teu olho d?água
que também vais me cerrar.
Não te afogues mais em mágoas
que também vais me afogar.
Vou mergulhar neste olho d'água
à beira da mata ciliar.
`````````````````````````````````````````
PRAIA
O sol, a peneira, o vento fresco.
Deita a sombra das mangueiras no areal.
Na distância, vêm o moço e a moça
lavados de sal.
Nessa terra boa que dá fruta
quero hoje me deitar,
quero hoje me deitar…
`````````````````````````````````````````
ABRIL
Pois que avesso ficou direito,
céu de abril é menos dúbio:
mais anil que mar escuro,
menos frio que queda nua.
`````````````````````````````````````````
SOL
Na tarde amarela
um bem-te-vi
ciscou meu sonho.
`````````````````````````````````````````
Titulo: VERSOS DA ÁGUA E DO VENTO
Autor: Samira Marzochi
Gênero: Poema
Data de publicação: 16 de novembro de 2003
Resumo: Só para escutar…
eu achei muito legal estes poemas:Lindo tudo combinando com tudo á altora dessa história estava muito espirado neste dia de sua criação barabés vc fez um otimo trabalho:
oi nao quero mim imtrometerv nissi nao
seus versos são simples e completos!!!
eu adoro esse site vocês são demais
sensacional/sensação/nau perdida/nas marés intensas/de histórias tantas/que nem ao fundo/do profundo dá para mergulhar/é loucura/perder o ar/tanta água/tanta lágrima/tanto sangue/tanta perdição/tanto poder/tanta gente que se foi/que há de vir
É seu Geraldo, às vezes a gente se deixa levar pela subjetividade, principalmente quando escreve poemas… Mas, dizer que aqui ela brincou de deus, não chegaria a tanto. Bem sei que ela simplesmente lembrou-se de suas caminhadas pelo Leblon, na chuva morna do Rio. Mais precisamente, pelo Jardim de Alah, se é que assim prefere… Se é que as almas sensíveis, que sofrem pela dor do outro, não podem sofrer também pela dor de si mesmas.
Difícil saber se somos fogo, água ou ar. Mais ainda se negamos que não somos íntimos das cores, dos ventos, do sol, da lua. Sem a palavra não existe mundo, cosmos ou caos. A interação entre homem e natureza é mais que ecologia. Os caminhos que são apresentados nos poemas de Samira passam pela junção completa de palavra e criação da palavra. Deus fez o mundo, de acordo com a mitologia judaica, com um “faça-se”. Tudo começou com o verbo. A notícia das enchentes no Rio, que dá vontade de rir. Imaginem uma manchete de primeira página: “Chove no Rio, por dentro e por fora, é frio”. Ao lado do texto um foto com uma legenda: “Chove nos ombros da moça que passa e dentro da moça que passa com frio”. Talvez a água que cai no Rio fosse tratada de forma mais humanista e solidária. A água não cai para matar. O que mata é o que está por dentro. Por dentro dos corredores do poder que deixam amontoados seres humanos em encostas. Ao invés de corpos escorrendo junto com as águas que caem, seria bom se fosse só “cheiro das folhas caindo no rio”. Transformar o mundo é guerrilhar por outros significados. Os significantes sempre serão belos, como a “tarde amarela”. Mas um “bem-ti-vi” ciscou meu sonho”.
Ótimos, Samira. Todos e sem exceção. Simples, diretos, líricos, até musicais, meio tropicálicos. :^)
Ótimos, Samira. Todos e sem exceção. Simples, diretos, líricos, até musicais, meio tropicálicos. :^)
Como, e dizer que é SÓ para escutar…A chuva por centrono pingo do olho d’águacolibri deitado na praiade um mês abrile à tarde ciscada eu sonho amarelobem, te vi!
Seus versos são simples e completos Samira. Noto que seus poemas se completam em um lirismo descomplicado, musical e sem a pretenção de “arroubos clássicos e universais”. E é isto que torna o poema tangível, bom de ler e de ver, assim como um passarinho, que ciscam os nossos sonhos, nestes e em outros poemas… (aliás, eu já tinha lido este seu poema do bem-te-vi em outra ocasião. ficou guardado comigo
.
Bad Behavior has blocked 19 access attempts in the last 7 days.
Gostei muito dos poemas exprimem a realidade do nosso país