Resenha por Paulo Henrique
20 de junho de 2004

Se pudesse trazer para os meus textos uma única virtude do cinema de Quentin Tarantino, eu não hesitaria: gostaria de ter o seu talento para encontrar o ponto de equilíbrio perfeito entre a violência mais cruel e a futilidade mais leviana.
Em todas suas produções, Tarantino exibe este dom. No seu primeiro filme, Cães de Aluguel, a cena em que o mafioso arranca a orelha do policial - com um fundo musical delicioso - causa uma repulsa prazerosa, uma vontade de que a ação não termine, apesar da crueza do momento.
Em Pulp Fiction, o surrealismo de uma orgia homosexual-sádica se mistura com risos, quando o personagem de Bruce Willys escolhe uma arma para matar o "retardado" mascarado e salvar a pele de seu - até então - inimigo.
Já em Jack Brown, uma jovem surfista maconheira enche tanto a paciência do personagem de Robert De Niro, a ponto dele sacar o revolver e executá-la em pleno estacionamento de um Shopping Center.
Mas é em Kill Bill - volume 1, o seu último lançamento, que Tarantino consegue misturar violência com banalidade da forma mais improvável possível. Cenas fortíssimas de uma chacina dentro de uma igreja (!!!) se contrapõem com uma suave canção de Nancy Sinatra, antes do filme seguir em um ensolarado bairro americano, que por sua vez, será palco para uma luta de facas entre Uma Thurman e sua rival - assassinada em frente à filhinha de quatro anos.
Ufa! Antes que o leitor me xingue, eu só descrevi o comecinho do filme - prometo não contar mais. Foi só para mostrar como Tarantino viaja neste ritmo, ao misturar canais (que tal um cenário japonês com música mexicana?), fazendo referências ao bang-bang e ao kung-fu; e mesclando recursos como o preto-e-branco dos "flash-backs", ao lado de um desenho animado japonês.
Sem contar nos absurdos que acontecem no hospital; no Japão; nas avenidas; entre outros cenários muito bem escolhidos para a trama. Tudo com muito, muito, muito sangue, mutilações e mortes, de forma chocante e, ao mesmo tempo, leve. Que faz rir.
Com o lançamento de Kill Bill, Tarantino mostra que realmente sabe contar uma estória. O filme é interrompido de repente - mas sem aquela "forçação" de barra do Matrix 2 - deixando um desejo imediato de continuidade (em tempo: vem aí Kill Bill - volume 2). Tudo isso com o seu típico estilo narrativo, cheio de vai-e-vem, que desta vez revela maturidade técnica, tanto na fotografia, quanto no movimento da câmera.
Certamente Tarantino já está entre os grandes nomes do cinema americano e a década de 90 será marcada pelo surgimento do cinema "tarantinesco", que tinha como o ponto alto o filme Pulp Fiction, entre duas obras vigorosas, como Cães de Aluguel e Jack Brown. Até aparecer Kill Bill. E com ele, a idéia de que Tarantino pode ser muito mais absurdo, violento e banal do que já era. E divertido também.
Titulo: Bang-Fu
Autor: Paulo Henrique
Gênero: Resenha
Data de publicação: 20 de junho de 2004
Resumo: Tarantino continua coerente. E absurdo.
Em relação ao Tarantino, ele tem um ótimo Don de levantar atores “falidos” como o Jhon Travolta. E em relação a sua matéria, como o própio Q.T. diz: “nada precisa de muita explicação”.
Legal, pê, o título ficou dez! Outra coisa bacana é que ele mistura elementos do cinema de gosto duvidoso para fazer uma obra prima!
Ótima resenha, PH, boa observação essa mistura de violência, banalidade e diversão do cinema ‘tarantinesco’ - fruto contemporâneo exemplar do nosso tempo que, de tão ‘badalado’, já tem seu próprio adjetivo.
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cou certeza, manu, tarantino marcou todas as epocas e todos os filmes e todas as musicas viajeiras doidonas com muito sangue e rockemrou, muito fera, manu