Resenha por Paulo Henrique
9 de julho de 2003

Sempre achei que resenhas de filmes são feitas para quem já assistiu ao filme resenhado. Geralmente é uma literatura densa, que só te prende se você curtiu o tal filme e está a altura da profundidade intelectual do resenhista.
Nesta "resenha" de hoje quero falar sobre o filme Durval Discos, mas sem exaltar aspectos técnicos e estéticos como o minimalista plano contínuo da cena inicial ou a estupenda interpretação da atriz Etti Fraser, que interpreta a dominadora mãe do Durval.
Eu quero, na verdade, dar apenas uma dica para os leitores assistirem a este filme. Só uma dica.
Em linhas gerais, a história do filme se passa na casa do Durval, onde funciona sua lojinha de LP - isto mesmo, apenas discos de vinil.
Durval é um adolescente tardio que mora com sua mãe, já idosa, e está parado em algum lugar do passado. Além de seu horrível penteado, os pôsters do The Doors, bem como a camiseta da Janis Joplin - entre muitos outros elementos que decoram seu quarto e sua loja - mostram que este passado deve ser alguma data na década de 70.
O filme é engraçado e muito insusitado. Muito inusitado mesmo. Do cômico passa para o suspense sufocante, sem a gente perceber. A chegada de uma nova empregada na casa do Durval e de sua suposta filhinha, muda o rumo da história, que até então estava amena e engraçadinha.
E aí o bicho pega: a mãe do Durval fica completamente louca e conduz a situação para um estado surreal, que envolve cavalo, assassinato e bailarina. Um retrato psicológico e fantástico da já absurda realidade de São Paulo.
O filme tem excelente qualidade técnica, roteiro e argumento. A história é contada de forma muito envolvente, com uma trilha sonora de Rock´n Roll/MPB, com Tim Maia, Jorge Ben Jor, Luiz Melodia, Caetano Veloso e outros. Vale destacar a citação aos discos do "Tim Maia Racional"; a participação especial da tresloucada Rita Lee e o resgate de uma MPB "alternativa", como o disco do Jessé, que Durval insiste tanto em vender.
"Durval Discos" foi dirigido por Anna Muylaert e vencedor de vários prêmios em mostras como o Festival de Gramado, Torino e Recife. Fica aí a dica para assistir a mais esta ótima produção nacional. Vá logo, assista ainda no cinema. Compensa.
Ficha Técnica:
Título: Durval Discos (2002)
Elenco: Ary França, Etty Fraser, Isabela Guasco, Marisa Orth, Letícia Sabatella, Rita Lee e outos.
Produção: Sara Silveira e Maria Ionescu
Direção de fotografia: Jacob Solitrenick
Música Original: André Abujamra
Direção de Arte: Ana Mara Abreu
Figurino: Marisa Guimarães
Edição: Vânia Debs
Estúdio: Dezenove Som e Imagens / África Filmes
Tempo de duração: 96 minutos
site: www.durvaldiscos.com.br
Em tempo:
Para quem está em Campinas, tem sessão no cinema do Shopping Jaraguá (Av. Brasil), às 17 horas. Não perca.
Titulo: Durval Discos
Autor: Paulo Henrique
Gênero: Resenha
Data de publicação: 9 de julho de 2003
Resumo: Não quero fazer uma resenha: apenas dar uma dica.
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Acho que não chegou em São Paulo esse filme… he hehe e nem deve chegar.. risos…Que história é essa de falar de São Paulo desta maneira? “fantástico da já absurda realidade de São Paulo”… opa … Nossa acho que nem vou querer ver esse filme… a capa não me agradou… he he heFalando sério, vou esperar sair em dvd… valeu a dica…Alias, ontem fui ver o Monstro Verde, esse mesmo que você está pensando… a Tanga dele suporta tudo que é bala, água, tempestade, fogo e etc… absurdamente ridiculo… fui no cinema só desenvolver mais o meu lado critico…abraços