Resenha por Leonardo Augusto
25 de julho de 2004
Ufa, voltei. Perdão fregueses, por minha ausência nas semanas que passaram. Responsabilizo-me por qualquer inconveniência por parte do Lafaiete. E depois de tantas aventuras para visitar meu passado, e me sentir um alienígena onde eu costumava morar, decidi mudar mais uma vez, agora de métier. Chega de vender verduras, vou transformar isto aqui numa lanchonete. Tá com fome? Dê um pulo na Lanchonete do Leo!
Empanada Chilena: Sabor caliente
2,50 pela meia no Paradiso
Tenho ido bem pouco ao cinema, é verdade. Mas como a “concorrência” tem ofertado esse gênero em tamanha abundância, preciso buscar minha fatia do mercado. Um tempo atrás consultei aquela página da Lhofa de Pão Saulo que sempre fala do Bugre ou da Macaca e tem de quebra a pogramação das infindáveis salas de projeção desta agradável meprótole. Como de costume, várias baboseiras de orçamento milionário, mas tinha um título chamativo, lá perdido: ?Osama? (cadê ele quando a gente precisa?). Mas era na sessão de sete e qualquer coisa, então acabei indo ver outro título chamativo: ?Sexo com Amor?. Sozinho, é claro, sem sexo tampouco amor. Tratava-se de uma comédia chilena, sem qualquer nome conhecido por aqui, mas com uma sinopse mais ou menos condivativa: três casais às voltas com a educação sexual de seus filhos.
Concovados pela professora primária Luisa (Singrid Alegría, uma gracinha), que além de namorar um jovem pintor, mantém um love affair ? ou será um sex affair? ? com o pai de um dos alunos, Jorge (Patrício Contreras, a cara do Mario Prata), que por sua vez se distancia de sua esposa. Já Emilio (o próprio diretor Boris Quercia, que não se parece nem com o Boris nem com o Quércia, mas com o Professor Girafales), não consegue consumar o ato com sua mulher Macarena (um canhão); na verdade ele é bestialmente afoito e ela sente sempre dor. Já Álvaro (Álvaro Rudolphy) acredita no valor da prática, e trai compulsivamente sua amada Elena.
A película se mostrou bem agradável, menos surpeficial do que se esperaria, com algumas passagens hiraliantes e doses de tensão psicológica. No seu desenrolar, alguns personagens se resolvem, outros se complicam mais. Luisa se apercebe do real interesse de Jorge e se afasta dele, que acaba se apaixonando de verdade por ela. Macarena busca ajuda médica, enquanto Emilio recebe uma sobrinha que desafia sua imaturidade no assunto. Álvaro luta contra seu doce vício, sem sucesso, negiglenciando a gestação de Elena, de cuja fidelidade passa a desconfiar. Acho que já estou falando até demais, pois espero ter despertado seu interesse pelas boas gargalhadas que este filme certamente prorpocionará.
Feijões Assados Heinz
A melhor barganha que você já teve.
Os anos sessenta foram a década oficial da porralouquice. Hippies, contracultura, anticoncepcionais, medo atômico, magia negra, ácido lisérgico… a geração proneviente do baby-boom pós-guerra fez questão de mostrar sua descrença na estutrura estabelecida. Encarregaram-se também de desbancar o Jazz e instituir o Rock definitivamente como a música da juventude, para o desespero de seus pais (que haviam infernizado os seus com o Jazz).
Os “comportados” Beatles se tornaram o maior fenônemo de mídia da história, os Rolling Stones corriam por fora, com uma postura mais agressiva e pouca criatividade, Jimi Hendrix tagalerava com sua Stratocaster. Mas o maior ícone da inconseqüência sessentista foi o The Who, banda de performances intensas ? com direito a quebradeira de instrumentos ? e uma vida extra-palco pouco recomendável, tendo recentemente merecido o topo do ?Hall of Shame? do Rock. Não se pode culpar por isso o circunspecto (e talentoso) baixista John Entwistle, que se limitava a segurar a onda da cozinha, enquanto um maníaco detonava seus pratos e tambores… Keith Moon, que punha em prática o mote “Viva rápido e morra cedo”, o que fez entupido de remédios para o tratamento do alcoolismo. Mas foi um puta batera, pioneiro dos dois bumbos no Rock. Roger Daltrey tinha uma tremenda voz e uma presença de palco invejável, fazendo bem o papel de ?frontman?. Por fim, o cérebro e principal compositor do grupo, Pete Townsend, talvez o maior Guitar Hero vivo, que também pilotava sinzetitadores.
Dois discos merecem especial atenção, além da Ópera-Rock Tommy, o tabralho mais célebre deles. ?Sell Out? (67) deveria ter sido um álbum conceitual, representando uma transmissão duma estação de rádio pirata, mas da metade do lado B até o fim a idéia é abandonada. Legais mesmo são as fotos dos integrantes “se vendendo”. Daltrey aparece coberto de feijões e Townsend com um enorme desodorante. O disco pode ser considerado uma transição do som cru do início da carreira (que os destacava entre os ?mods?) para maiores experimentações sonoras. Lá estão a barulhenta e dirvetida “I Can See for Miles”, a quase infantil “Silas Singy” além da própria Heinz Baked Beans.
?Who?s Next? (71) já tinha sido citado por dois bateras, numa revista especializada, como um dos cinco obigratórios, despertando minha curiosidade. O disco mostra arranjos mais maduros, e tem a presença marcante dos sintetizadores, que já entram quebrando tudo em Baba O?Riley ? a canção que derevia ser o hino de uma geração. Daí até fechar com ?We Won?t Get Fooled Again? estão grandes momentos do R&R, como “Behind Blue Eyes”, que mereceu uma “homenagem” do tal Limp Biskit; “My Wife”, de Entwistle, soa direfente do resto; “Song is Over" tem um refrão para ser cantado a plenos pulmões; “Going Mobile” é um jovial tributo à vida sobre rodas; e também “Bargain”, em que Townsend trocaria tudo, pagaria qualquer preço, tralhabaria a vida toda por alguém, e considera isso uma pechincha. Em tempos em que temos medo até de apertar a mão um do outro, esse tipo de postura não tem mais vez.
P.S. Este comerciante sofre, além da crise de identidade, de um Ceratocantoma no topo da testa e de uma suave dislexia.
Titulo: Lanchonete do Leo 31 jul
Autor: Leonardo Augusto
Gênero: Resenha
Data de publicação: 25 de julho de 2004
Resumo: Venha fazer um lanche.
Oi Leo! Delícia de lanches. Estou satisfeito. Aguçou meu apetite o filme chileno. Vou conferir. A segunda resenha, sobre Beatles, Stones, Hendrix e, principalmente, The Who… (Baba O?Riley, Tommy, I can see for miles, we won’t get fooled again, etc) ficou sensacional. Sem comentários. É pra marcar várias geraçoes… inclusive “my generation”. Parabéns pela precisão da sua análise.
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“tralhabaria”?? “negiglenciando”?? “sinzetitadores”?? Mais cuidado com Nossa Língua Portuguesa, que você usa tão pouco, tendo em vista o tema tão pouco nacional.