Quitanda do Leo 19/06

Resenha por Leonardo Augusto
19 de junho de 2004

Fim de mais uma semana, fim de mais um outono glacial. Hora de recomeço. Este humilde feirante, afastado do labor semanal por questões de ordem computacional (pau no micro) e médicas (sofri um pequeno acidente), cá está novamente, ofertando produtos de primeira qualidade, não obstante as intempéries meteorológicas e pessoais. Sintam-se à vontade na Quitanda do Leo.

Água: não a beba!

Cortesia do Guilhermão

Desde 96 sou fã da Dave Matthews Band, um quinteto constituído por um sul-africano branquelo ? o próprio, três afro-americanos ? bastante pigmentados ? e um frangote de nome afrancesado ? que tinha 16 anos quando foi admitido. David Matthews (violão/ voz/ compositor), Carter Beauford (bateria), Leroi Moore (sax/ flauta), Boyd Tinsley (violino) e Stephan Lessard (baixo) ? todos excelentes em suas funções ? fazem um pop sincrético, fundindo todas vertentes da boa herança musical americana ? que anda tão maltratada ? como folk, blues, cajun, jazz, soul, country e funk.

Só não conhecia bem os clipes da banda; e nesse quesito, mais uma vez, eles mostram muito bom gosto. O que me possibilitou essa descoberta foi o advento de um novo morador em minha casa, o Stevie John No-Arms, cujo irmão, Guilhermoso, tem uma coleção de DVD?s bem interessante. Dentre eles, DMB The Vídeos: 1994-2001, contendo doze pérolas desta arte surgida no último século, o videoclip; mesclando belos trabalhos gráficos e cinematográficos (como colagens, figurinos, efeitos) com a energia da banda mandando ver nos instrumentos ? coisa proibida na MTV dos dias de hoje…

Abrindo com sucessos do ?primeiro? disco Under the Table and Dreaming: ?What would you say? é ágil e dançante e tem um visual surrealista. ?Ants Marching? tem imagens urbanas e deles tocando num galpão (menção a ?Wharehouse??). ?Satellite? abre com uma linda moça fazendo bolhas, enquanto um cara assiste tevê dentro do trailler; quando ele sai do trailler, a moça está flutuando numa bolha, que estoura. Do grande álbum Crash, o inquietante ?Too Much? é uma homenagem ao pecado da gula, e foi meu primeiro contato com a banda. ?Crash Into Me? é uma obra-prima, com uma atmosfera onírica, as dançarinas de saia rodada, o baixista flutuando sobre um rabecão, as duas gueixas e um efeito de película suja muito bacana. ?Tripping Bilies? é uma performance ao vivo, com áudio do estúdio, mas tudo bem.

A grande surpresa fica por conta de ?Don´t Drink the Water?, hit do disco seguinte Before These Crowded Streets, com participação de Bela Fleck no banjo e Alanis Morrissette nos backing vocals. Eu sempre pensei que a letra tratasse da questão palestina, talvez pela proximidade com ?The Last Stop?, de sonoridade árabe, mas na verdade é sobre os índios da Amazônia. O vídeo apresenta uma rara fidelidade na representação dos locais e dos próprios silvícolas ? sem dúvida, algumas tomadas são reais. A cena final me lembra muito a cachoeira de Sto Antônio, lá em Porto Velho, onde eu morava. Portanto, não beba a água.

Seguindo, ?Stay (Wasting Time)? é uma festa da cultura sul-estadunidense, algo meio Mardi Gras, mas foi gravado em Virginia, terra natal da banda. ?Crush? recria a ambiência de um clube de jazz da década de 40, em P&B, é claro. ?I Did It? é um divertido mea culpa por estar lançando um álbum bem mais comercial que os anteriores (mas ainda muito bom): Everyday, um puta clipe engraçado. ?The Space Between? é mais sombrio, a música mais triste.

Por fim, as aspas em ?primeiro? disco são porque há o disco zero, Remember Two Things, lançado independente, onde está ?Recently?, talvez a melhor canção deles. Ah, depois do Everyday, saiu o Busted Stuff, que havia sido composto e abandonado em favor daquele, e o solo Some Devil.

Pastelão: recheado de gargalhadas.

$2,50 pela meia entrada no Jaraguá.

Um oportuno telefonema de nosso colega Alexandre, artífice deste saite, convidando para assistir a ?Um Tiro no Escuro? me surpreendeu no meio de uma aula. Eu já havia escutado que a série Pantera Cor-de-Rosa estava sendo relançada, mas nunca esperava que chegasse à tela prateada por estas paragens. Devo dar o braço a torcer a Campinas, que é suja, fedorenta e mal cuidada, mas tem espaços para o bom Cinema. Pena que o estacionamento do Jaraguá não é tão amplo…

Ainda que não tenha o charmoso felino, o filme, o segundo da saga que traz o hilário Peter Sellers na pele do desastrado Inspetor Clouseau, abre com uma animação pirada e os créditos: direção de Blake Edwards, música de Henry Mancini, Sellers e Elke Summer estrelando. Como sugere o título aí em cima, trata-se do legítimo humor pastelão, com tropeções e trapalhadas por parte de Clouseau, que passa por uma série de situações absurdas.

A trama, adaptada de uma peça, gira em torno da linda empregada da mansão Ballon, Maria Gambrelli (Summers), surpreendida na cena do assassinato de seu amante, o chofer, com uma arma fumegante na mão. Apenas o Inspetor acredita em sua inocência, seja por intuição ou atração física. Mas a moça é de novo envolvida em mais duas mortes e a trama vai se complicando até ser desvendada no clímax, menos pelo brilhantismo de Clouseau do que por um qüiproquó de intrigas entre os personagens.

Mas mais que o enredo, o trunfo do filme são as ?gags? de Sellers: as sucessivas prisões, a seqüência no campo de nudismo (a banda nua!), e sua incrível capacidade de provocar o caos por onde passa. O suficiente para fazer deste rolo um clássico; para muitos, o melhor da série.


Titulo: Quitanda do Leo 19/06

Autor: Leonardo Augusto

Gênero: Resenha

Data de publicação: 19 de junho de 2004

Resumo:

Mulher bonita não paga, mas também não leva!

2 Comentários

  1. Alexandre Piccolo disse:

    Pra variar, Leo, ótimas pedidas, do DMB ao Peter Sellers - o filme, que já é bom, fica estupendo na telona. E assino embaixo: estacionamento do Jaraguá é pra lá de careta… ;^)

  2. PH disse:

    mais duas delícias na feira. Sempre ouvi alguma coisa da DMB, no entanto, ainda não conheço a banda tanto assim. Pretendo logo assistir ao pastelão da Pantera. Recheado com muito catupiry!

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